Maputo, 12 fev 2020 (Lusa) – O Governo moçambicano e o reino da Noruega assinaram hoje um acordo que prevê que o país nórdico fortaleça Moçambique ao nível da gestão das futuras receitas de gás natural.

“Foi assinado um acordo que se destina ao fortalecimento da gestão petrolífera que é sensível e precisa de ser gerida corretamente”, disse Verónica Macamo, ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique.

“Vai ser muito importante para a gestão de recursos e receitas e de expetativas”, acrescentou, sendo que a Noruega é produtor e exportador de petróleo e gás desde a segunda metade do século XX, usando o setor para impulsionar o desenvolvimento.

Moçambique vai começar a exportar gás natural a partir de 2022 graças a megaprojetos de extração e liquefação na bacia do Rovuma que ao longo da próxima década deverão colocar o país na lista dos dez primeiros produtores mundiais.

O acordo de capacitação foi assinado no quadro da visita que o príncipe Haakon Magno da Noruega iniciou hoje a Maputo, logo após ter sido recebido pelo chefe de Estado, Filipe Nyusi.

A assinatura do acordo acontece numa altura em que Moçambique discute a criação de um fundo soberano para gestão das receitas petrolíferas – sendo que a nação escandinava tem o maior fundo soberano do mundo.

Por seu turno, o ministro para o Desenvolvimento Internacional norueguês, Dag Inge Ulstein – que integra a comitiva de Haakon Magno -, disse que o acordo prevê um programa de capacitação de modo a garantir que os recursos beneficiem as gerações vindouras e a salvaguarda do ambiente.

O diplomata explicou que é necessário que haja uma sociedade civil muito forte pois os países com recursos têm de se concentrar nas melhores práticas de gestão.

“Qualquer país que descubra grandes depósitos de gás natural tem grandes oportunidades. Esta indústria pode construir o bem-estar e uma economia sustentável de tal modo que todos os aspetos ambientais estejam contemplados”, disse.

No encontro de hoje, foi avaliada a cooperação entre os dois países, que Ulstein considera estar “a progredir”.

Segundo Verónica Macamo, falou-se ainda sobre os ataques armados na província de Cabo Delgado, Norte do país – onde nascem os megaprojetos de gás -, mas sem acrescentar detalhes.

No plano económico, o Governo de Moçambique e a companhia norueguesa Yara International assinaram em julho de 2017, em Maputo, um memorando de entendimento para produção de fertilizantes a partir de gás natural a extrair dentro de quatro a cinco anos da bacia do Rovuma, norte do país.

A visita do príncipe Norueguês a Moçambique termina na quinta-feira.

O Reino da Noruega tem prestado apoio ao país há mais de 40 anos, numa cooperação virada sobretudo para as áreas de energia, saúde, igualdade de género e apoio ao setor privado.

Na região austral, Moçambique é o terceiro país que mais fundos absorveu da Noruega em 2018, com cerca de 35 milhões de euros, segundo dados oficiais daquele país.

RIZR // VM – Lusa/Fim
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