7 March 2021
Lisboa, Luanda, São Paulo e outras cidades de língua portuguesa bem como Macau foram palcos de grandes negócios em 2013, que estreitaram ainda mais as relações do espaço económico e empresarial sino-lusófono.

Negócios de 2013

Depois de em 2011 e 2012 ter tido destaque a entrada de empresas chinesas em Portugal, em particular a China Three Gorges na EDP – Energias de Portugal, no ano que agora termina a Portugal Telecom e a brasileira Oi foram as protagonistas do que foi considerado um dos 12 maiores negócios do mundo.

O negócio, anunciado em Outubro e ainda em fase de concretização, está avaliado em 14, 3 mil milhões de dólares, valor à escala global, de acordo com uma análise preliminar da consultora Dealogic.

A fusão, considerada quase unanimemente o negócio do ano em Portugal, é avaliada como o terceiro negócio mais valioso entre empresas de diferentes países e a terceira maior operação em que o alvo foi uma empresa europeia.

O próximo passo, de acordo com analistas de mercado, será a entrada de um parceiro internacional, tendo sido referenciado o interesse de operadores chineses.

Também das telecomunicações em Portugal saiu um negócio com impacto internacional e que promete agitar este mercado nos países de língua portuguesa – o da fusão entre a Zon e a Optimus, que terá a empresária angolana Isabel dos Santos como accionista.

Em parceria com Isabel dos Santos, a Zon já está presente na televisão por satélite em Angola e Moçambique (ZAP) e a empresária tem vindo a expandir rapidamente a operadora de comunicações móveis Unitel, onde tem 25% do capital, nos países de língua portuguesa, em particular em São Tomé e Príncipe e em Cabo Verde.

Isabel dos Santos já veio afirmar que a fusão entre a Zon e a Optimus permite, mais do que reforçar a posição da nova operadora perante a principal rival, Portugal Telecom, a expansão fora de Portugal.

A nova empresa tem receitas de 1600 milhões de euros, 28% do mercado português e ambição para se expandir em África, rivalizando com a sul-africana MTN e a Portugal Telecom, que detém outros 25% da Unitel, além de presença em São Tomé e Cabo Verde.

Isabel dos Santos, considerada pelo Jornal de Negócios a 6.ª pessoa mais poderosa da economia portuguesa, está também a ultimar uma parceria na área da distribuição com o grupo português Sonae, detentor da cadeia de hipermercados Continente.

Segundo o jornal, a fusão entre a Zon e a Optimus foi a “cereja no topo do bolo” do seu crescimento empresarial em Portugal, que inclui uma participação no banco português BPI avaliada em 465 milhões de euros e ainda 25% do BIC Portugal.

Outro angolano a “dar cartas” nos negócios em Portugal em 2013 foi António Mosquito, que entrou no negócio de comunicação social do grupo Controlinveste (Diário de Notícias, Jornal de Notícias, rádio TSF, entre outros) com uma posição de 27, 5%.

Da China para Portugal vieram novos projectos envolvendo a China Three Gorges e EDP no Brasil e em África, além de energias renováveis na Europa, e mais de 300 milhões de euros de investimento de privados, sobretudo para o imobiliário.Foto: Accenture

O investimento imobiliário privado insere-se no programa de vistos dourados do governo português, que oferece uma autorização de residência a privados que investirem 500 mil euros na compra de imóveis.

No campo das relações bilaterais, o ponto alto no espaço sino-lusófono foi a IV Conferência Ministerial do Fórum Macau, que terminou com novas medidas e metas, entre as quais atingir, até 2016, a fasquia de 160 mil milhões de dólares em trocas comerciais.

Das medidas anunciadas no final do encontro constam a criação de um projecto de energia solar para iluminação pública ou a execução nos países africanos de língua oficial portuguesa de “Zonas de Cooperação Económica e Comercial”, “incentivando as empresas chinesas com base nos princípios de decisões próprias de operacionalização.”

Na conferência ministerial, Rui Mangueira, ministro da Justiça e Direitos Humanos de Angola, falou de “metas bastante ambiciosas” e de um plano “bastante inovador”.

O ano terminou praticamente com a assinatura de um acordo de cooperação económica e técnica entre Angola e da China, que decorre de uma ajuda não reembolsável chinesa no valor de 200 milhões de yuan e que se destina à reconstrução e apetrechamento do Hospital Geral de Luanda.

 

O acordo foi rubricado em Luanda, pela secretária de Estado das Relações Exteriores para a Cooperação, Ângela Bragança, e pelo embaixador chinês, Gao Kexiang, que salientou que esta doação inclui a construção de uma escola primária na província do Huambo e de um centro agrícola em Luanda.

A secretária de Estado angolana revelou já ter a confirmação da parte chinesa em apoiar a construção do Instituto de Relações Internacionais, entre outras acções que se enquadram na iniciativa do Fórum Macau. (macauhub).

Fonte. MacauHub

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