Em África, o caso da Namíbia tem algum paralelo com o do Senegal (v. supl. Camões no JL de 3 de abril de 2013), onde a língua portuguesa faz parte obrigatória dos currículos do ensino básico e secundário. A introdução do português fez-se por iniciativa do governo de Windhoek, que «estava interessado em oferecer aos seus alunos a possibilidade de aprenderem português como língua estrangeira», segundo Carla Pereira, coordenadora adjunta do Ensino Português na Namíbia. O português também está presente nos currículos escolares da África do Sul, com o apoio do respetivo governo, mas aqui a iniciativa parte sobretudo das escolas, o que também acontece na Suazilândia.

Não é um mero interesse político – o português é a língua oficial da SADC e da União Africana – o que a Namíbia tem pelo ensino da língua portuguesa. «Existe um interesse prático e pedagógico pelo ensino do português, uma vez que são elevadas e múltiplas as relações politicas, económicas e comerciais com o vizinho angolano», explica Carla Pereira. Para a região austral de África, o inglês e o português revelam-se como as línguas estrangeiras de maior utilização e interesse, acrescenta Carla Pereira, também responsável pelo CentroDiogo Cão (CDC).

Logo no ano letivo de 2012 (que na generalidade dos países da África Austral começa em Janeiro), 8 escolas namibianas começaram a lecionar português. No novo ano escolar de 2013, mais 4 escolas públicas e 2 privadas passaram a ensinar português de forma integrada, em 8 das 13 regiões da Namíbia, com particular incidência nas regiões de norte do país, mais próximas da fronteira com Angola, de acordo com os dados avançados por Carla Pereira. Ao todo, nestas escolas, serão 734 alunos, a que acrescem cerca de 435 alunos que aprendem PLE ou Português Língua Materna (PLM) em regime paralelo. Esta situação acontece, nomeadamente em 3 escolas privadas ou em regime de subsidiação estatal (semiprivadas), nas quais desde há mais de uma década se iniciou o ensino de PLM, com o auxílio de docentes angolanos e com o apoio do Camões, IP através do CDC.

Como o projeto teve início em 2012, somente existem alunos de PLE nos níveis de proficiência A1 (8º ano) e A2 (9ºano) do Quadro de Referência para o Ensino doPortuguês no Estrangeiro (QuaREPE). Em outubro de 2014, terão lugar na Namíbia os primeiros exames nacionais do 10º ano, da disciplina de PLE (Junior Secondary Certificate). Ler o artigo completo.

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