Macau, China, 22 mai (Lusa) – No panorama da comunicação social em português em Macau, o Acordo Ortográfico é um tema quase esquecido: dos cinco jornais, rádio e televisão, apenas um semanário, o mais recente, optou por usar a nova grafia.

João Francisco Pinto, presidente da Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau, garante que não é uma questão que preocupe o setor.

“Nunca falámos sobre o acordo, nem me parece que faça parte do caderno de encargos, nunca foi levantado pelos sócios. Todos nós pertencemos a uma geração que foi habituada a escrever de determinada forma e continuaremos a escrever à moda antiga”, explicou.

No caso concreto do canal em português da TDM, de que é diretor de informação, há uma “bi-posição”: “Nos conteúdos produzidos para Macau, seguimos a grafia antiga. No entanto, temos um projeto em curso que envolve cinco países de língua portuguesa. Nos conteúdos para esses operadores, a legendagem tem o novo acordo”.

A TDM transmite também conteúdos da RTP que incluem o acordo. “É um bocadinho híbrido”, concluiu.

O Plataforma Macau, criado em 2014 com um foco especial no papel de Macau na ligação entre a China e os países de língua portuguesa, foi o único a optar pelo acordo.

“Não tenho uma paixão em especial pelo português antigo ou pelo novo. Mas andarmos no sentido da harmonização de coisas parece-me bem”, comentou o diretor do único jornal bilingue do território, Paulo Rego.

Para o diretor do semanário, faz sentido a “harmonização da escrita”, que “facilita a produção de conteúdos, a internacionalização das vendas” e permite “trocar mais letras”.

“O meu filho pega num jornal de Macau e o português não é o que ele aprende na escola. Na China estão todos a aprender com o acordo. Acho bem que se discuta o assunto, mas a questão costuma ser posta num plano emocional que não devia ter”, concluiu.

ISG // VM – Lusa/Fim

 

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