O cantor e violonista brasileiro Gilberto Gil em atuação no Auditório Stravinski durante o 52º Montreux Jazz Festival, em Montreux, Suíça. 
07 de julho de 2018. EPA / VALENTIN SOMENTE PARA USO EDITORIAL FLAURAUD (epa06873506)

Brasília, 11 nov 2021 (Lusa) – O músico brasileiro Gilberto Gil, de 79 anos, foi hoje eleito para o quadro de membros efetivos da Academia Brasileira de Letras (ABL), passando a ocupar a cadeira 20, anteriormente pertencente ao jornalista Murilo Melo Filho.

Gilberto Gil tornou-se assim um “imortal” da ABL, num evento que decorreu no palacete Petit Trianon, no Rio de Janeiro, uma semana após a atriz Fernanda Montenegro, de 92 anos, ter sido eleita, sem concorrência, para a cadeira 17.

”Gilberto Gil traduz o diálogo entre a cultura erudita e a cultura popular. Poeta de um Brasil profundo e cosmopolita. Atento a todos os apelos e demandas de nosso povo. Nós o recebemos com afeto e alegria”, declarou o presidente da ABL, Marco Lucchesi, citado em comunicado.

Além de Gil, concorreram também para a cadeira 20 o poeta Salgado Maranhão e o escritor Ricardo Daun, mas o músico brasileiro saiu vencedor com 21 votos.

“Muito feliz em ser eleito para a cadeira 20 da Academia Brasileira de Letras. Obrigado a todos pela torcida e obrigado aos agora colegas de Academia pela escolha”, agradeceu o artista lusófono na rede social Twitter.

Seguindo o modelo da Academia Francesa, a ABL é constituída por 40 membros efetivos e perpétuos, apelidados de “imortais”. Além deste quadro composto por brasileiros, existem 20 membros correspondentes estrangeiros.

Quando um membro da ABL morre, a cadeira é declarada vaga numa sessão denominada “Saudade”, tendo os interessados em ocupar a vaga dois meses para se candidatarem.

A cadeira 20 tem como patrono o médico e jornalista Joaquim Manuel de Macedo e já pertenceu a um dos fundadores da ABL, Salvador de Mendonça.

Participaram na votação de hoje 34 académicos de forma presencial ou virtual, sendo que um não votou por motivos de saúde.

Gilberto Gil iniciou a sua carreira no acordeão, ainda nos anos 1950, inspirado por Luiz Gonzaga, pelo som do rádio e pela sonoridade do nordeste brasileiro.

Com a ascensão da bossa nova, o músico deixou de lado esse instrumento e passou a usar o violão e, em seguida, a guitarra elétrica, presentes na sua obra até hoje.

“A suas canções desde cedo retratavam seu país, e sua musicalidade tomou formas rítmicas e melódicas muito pessoais. Seu primeiro disco, ‘Louvação’, lançado em 1967, concentrava a sua forma particular de musicar elementos regionais, como nas conhecidas canções ‘Louvação’, ‘Procissão’, ‘Roda’ e ‘Viramundo'”, detalhou a ABL em comunicado.

Em 1963, iniciou com Caetano Veloso uma parceria e um movimento, denominado “Tropicália”, que contemplava e internacionalizava a música, o cinema, as artes plásticas, o teatro e toda a arte brasileira.

“O movimento gerou descontentamento da ditadura vigente, que o considerava nocivo à sociedade com os seus gestos e criações libertárias, e acabou por exilar os parceiros. O exílio em Londres contribui para a influência do mundo pop na obra de Gil, que gravou inclusive um disco” na capital britânica, “com canções em português e inglês”, acrescentou a Academia.

Ao regressar ao Brasil, Gil deu continuidade à sua produção musical, que dura até aos dias de hoje e que acumula quase 60 discos e cerca de quatro milhões de cópias vendidas, tendo sido premiado com noves ‘Grammys’.

Em 2002, após a sua nomeação como ministro da Cultura, o agora académico da ABL passou a circular também pelo universo sociopolítico, ambiental e cultural internacional.

Gilberto Gil terminou no último domingo a sua digressão europeia, que passou por cinco cidades portuguesas (Vila Real, Castelo Branco, Lisboa, Braga e Santarém), acompanhado pela cantora Adriana Calcanhotto.

MYMM // MAG – Lusa/Fim

Gilberto Gil (L) recebe o grau de Doutor “Honoris Causa” pela na Universidade Lusófona de Lisboa, 16 de abril. 16/04/2008, TIAGO PETINGA / LUSA

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