Lisboa, 20 jan (Lusa) – O mundo lusófono necessita, à semelhança do que sucede na comunidade britânica, de um banco de desenvolvimento para que os Estados membros da CPLP possam desenvolver o “grande potencial económico” existente, defendeu hoje um académico português.

Bernardo Teotónio Pereira, professor na Nova School Business of Economics (SBE) da Universidade Nova de Lisboa, falava à agência Lusa na sequência da abertura da terceira edição do mestrado “O Potencial Global do Mundo Lusófono”, totalmente lecionado em Português, e que se prolonga até sexta-feira.

“É fundamental que a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) seja vista de forma global e integrada. O mundo tem de ser visto com as potencialidades de cada região. Temos de montar os alicerces essenciais para fomentar o desenvolvimento nas nossas comunidades e, para isso, é fundamental, a criação de um banco de desenvolvimento lusófono”, sublinhou.

Teotónio Pereira lembrou o “bom exemplo” já existente com a criação da União de Bancos, Seguradoras e Instituições Financeiras da CPLP.

“Esta diferença dá-nos esse potencial. É essa a visão que temos de voltar a ter: a nossa geração já não é a mesma da que viveu nas ex-colónias, pelo que temos de recriar os alicerces e as amizades entre as pessoas e países que falam a mesma língua. Temos de chegar aos países que falam a nossa língua com a humildade de lhes perguntar: «em que vos podemos servir?», afirmou o académico português.

“Temos de deixar aquele estigma da paternidade e voltarmos a essa pergunta base. O nosso país (Portugal) tem história suficiente para deixar de parte o orgulho porque, como diz o papa Francisco, «de pessoas importantes estão os cemitérios cheios»”, acrescentou.

Sobre a cadeira do mestrado que idealizou, e destacando o facto de ser ministrado em Português nas áreas da Gestão, Economia e Finanças, tradicionalmente em Inglês, Teotónio Pereira realçou a importância da língua portuguesa no mundo e o potencial de a usufruir num contexto globalizado.

Nesse sentido, criticou a política externa portuguesa desenvolvida até hoje, defendendo que a matriz deve assentar em quatro pilares – Europa, Atlântico, interesses contíguos ao Mediterrâneo e uma presença que ultrapassa o que território português.

“Isso obrigará a que não tenhamos de optar exclusivamente por um deles. Isso é o que tem acontecido nos últimos anos em Portugal. É ter apenas uma opção e esquecer as restantes três, que são também essenciais como matriz da identidade”, salientou.

Para Teotónio Pereira, é “fundamental” que, para uma faculdade internacional, como a nova SBE, onde 46% dos que frequentam os mestrados é de origem estrangeira, os alunos venham a Portugal e “consigam levar o sentido de qual é o valor do sentido de falar a língua” portuguesa.

“Quantas mais pessoas falarem a nossa língua, mais poder teremos enquanto civilização lusófona. A ideia não é dizer o que está mal. Para rasgar o passado já bastou a década de 1970 (independências das antigas colónias). Agora é olhar para um futuro que tem obrigatoriamente de ser diferente”, defendeu.

Dividida em três partes – Dia da Língua, hoje, Dia do Mundo (quinta-feira) e Visão Político-Constitucional (sexta-feira) -, o módulo de mestrado contará com a presença de vários oradores, destacando-se, no último dia, as de António Vitorino e de Paulo Portas.

Personalidades ligadas ao empresariado e à cultura – como o Rock in Rio e Conexão Lusófona -, historiadores e outros académicos são outros dos convidados para a iniciativa.

JSD // VM – Lusa/Fim

 

close
Subscreva as nossas informações
Partilhar