2 March 2021
O ensaísta e professor Óscar Lopes, 95 anos, co-autor da História da Literatura Portuguesa, morreu hoje, dia 22 de março de 2013, no Porto.

Morreu Óscar Lopes

Ensaísta e professor universitário. Licenciado em Filologia Clássica pela Universidade de Lisboa em 1941, completaria em seguida a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas na Universidade de Coimbra. Entretanto, obtivera diplomas superiores no Instituto Britânico do Porto e no Conservatório de Música da mesma cidade. 
Professor do ensino secundário entre 1941 e 1974, cedo se afirmaria como um crítico exigente e um ensaísta versátil e rigoroso, tratando ora a história, ora a literatura, ora a linguística, ora a filosofia, sempre de forma a creditar-se como um dos maiores ensaístas portugueses contemporâneos. Como crítico e ensaísta literário, teve um importante papel no estudo e na problematização do neo-realismo português, de que foi um dos mais clarividentes estudiosos. 
Colaborador das mais importantes revistas literárias portuguesas – Seara Nova,  Vértice,  Mundo Literário,  Colóquio/Letras – e do suplemento literário de O Comércio do Porto, onde deixou importantes trabalhos críticos. Em 1980, dirigiu os dois números da revista Camões, publicados a propósito do quarto centenário da morte do poeta. 
Entre 1967 e 1971 foi bolseiro do Instituto de Estudos Pedagógicos da Fundação Calouste Gulbenkian, com equiparação a bolseiro pelo Instituto de Alta Cultura, o que lhe permitiu a realização de importantes experiências quanto à coordenação do ensino das disciplinas de Língua Portuguesa e de Matemática, ao nível do então ciclo preparatório, trabalho que apresentou em edições daquela Fundação de 1970 e 1971. 
Com António José Saraiva publicou um dos mais importantes livros didácticos e de consulta de que já beneficiou a nossa literatura, a História da Literatura Portuguesa. Uma obra cuja primeira edição teve lugar em 1955, sendo depois objecto de mais dezanove reedições sucessivas, corrigidas e actualizadas, a última das quais, oficialmente a 17ª., mas na realidade e por força da censura do Estado Novo que obrigou ao disfarce como reimpressões de três das edições revistas e aumentadas, a 20ª., foi publicada em 1996, estando já uma outra em preparação, agora com três novas colaboradoras: Isabel Pires de Lima, Leonor Curado Ribeiro e Margarida Vieira Mendes, docentes das Faculdades de Letras do Porto e de Lisboa, sendo que a última faleceu entretanto. Nesta obra, Óscar Lopes foi sempre o responsável, posto que em consulta com Saraiva, pelos autores contemporâneos, tomando como contemporâneos todos os escritores posteriores à chamada «Geração de 70». 
Os seus trabalhos de ensaio e crítica foram distinguidos com os prémios «Rodrigues Sampaio» e «Jacinto do Prado Coelho», este último instituído pela Secção Portuguesa da Associação Internacional de Críticos Literários. 
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O Presidente da Associação Portuguesa de Escritores, Professor Óscar Lopes, discursa durante a cerimónia da inauguração da nova sede da APE. O Presidente Mário Soares inaugurou as novas instalações da APE na presença da Secretária de Estado da Cultura, Teresa Patrício Gouveia, em Lisboa a 25 de junho de 1986. João Paulo Trindade / Lusa

 

Foto: Óscar Lopes. 17/05/1996, LUSA

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