Maputo, 06 fev (Lusa) – O Governo moçambicano aprovou hoje o plano de desenvolvimento do consórcio liderado pela petrolífera norte-americana Anadarko para transformar a península de Afungi, norte de Moçambique, numa zona industrial de exportação de gás natural.

“O objetivo é permitir o desenvolvimento da atividade de liquefação de gás natural, de forma a viabilizar economicamente a exploração da Área 1 da Bacia de Rovuma”, no oceano Índico, declarou Ana Comoana, porta-voz do Conselho de Ministros.

Os principais ganhos esperados “incluem a comercialização de recursos com um fluxo de receitas estimados em 30,7 mil milhões de dólares provenientes de impostos e partilha de lucros de gás até 2047”, acrescentou a porta-voz.

O desenvolvimento de infraestruturas, a criação de 1.500 postos de empregos nas fases de perfuração, construção e operação são apontadas também pela porta-voz como os principais ganhos de Moçambique com o projeto da Área 1, cujo custo de financiamento é estimado em 12 mil milhões de dólares.

O grupo de empresas vai explorar o gás natural encontrado nas profundezas da crosta terrestre, sob o fundo do mar, 16 quilómetros ao largo da província de Cabo Delgado.

Depois de extraído, através de furos, o gás será encaminhado por tubagens para a zona industrial a construir em terra, na península de Afungi, onde será transformado em líquido e conduzido para navios cargueiros com contentores especiais para exportação.

O plano prevê duas linhas de liquefação, instaladas em terra, e com capacidade anual de produção de 12 milhões de toneladas por ano de gás natural líquido.

Agora, aguarda-se pela decisão final de investimento por parte do consórcio, que nos últimos meses tem anunciado estar a fechar contratos de venda, já com preço estabelecido, para o gás que vai produzir em Moçambique.

Ao mesmo tempo, começou em novembro o processo de reassentamento da população que habita na península de Afungi.

O consórcio que explora a Área 1 é constituído pela norte-americana Anadarko (26,5%), a japonesa Mitsui (20%), a indiana ONGC (16%), a petrolífera estatal moçambicana ENH (15%), cabendo participações menores a outras duas companhias indianas, Oil India Limited (4%) e Bharat Petro Resources (10%), e à tailandesa PTTEP (8,5%).

Outro consórcio de empresas petrolíferas vai explorar a Área 4, também na Bacia do Rovuma, mais a sul, e anunciou a decisão final de investimento em junho, dando início à contagem decrescente de cinco anos até início da exploração, que prevê a exportação de 3,3 milhões de toneladas por ano.

EYAC (LFO) // EL -Lusa/Fim
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