“O objetivo [da visita] é familiarizar-me com o trabalho da CPLP, tendo em conta que a Namíbia se candidatou à adesão como observador associado da CPLP e a candidatura está a ser considerada”, disse Netumbo Nandi-Ndaitwa à Lusa após reunir-se com o secretário executivo da organização, Murade Murargy.

A chefe da diplomacia namibiana justificou a intenção do país de aderir à comunidade lusófona: “Em primeiro lugar, apreciamos muito a família da CPLP, que visa consolidar a cooperação e a coordenação entre os membros, com ênfase no bem-estar dos povos desses países”.

“É uma comunidade onde há uma grande fertilização de ideias, que olha para os aspetos sociais dos povos e para assuntos de boa governança que é essencial para o desenvolvimento de qualquer país”, acrescentou.

A responsável recordou que a Namíbia tem uma longa associação com países de língua portuguesa: “Nos dias da nossa luta houve uma colaboração próxima com países como Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Cabo Verde”.

“É essa amizade e cooperação que queremos nutrir para que cresça”, acrescentou, adiantando que o país pode contribuir com a sua própria experiência, “sobretudo em temas de governança”: “Temos 23 anos de independência, temos paz e estabilidade, estamos a fortalecer a nossa democracia”.

Murade Murargy disse por seu lado que a Namíbia “é um país com grande potencial económico, que pode trazer mais-valias para a CPLP”.

Afirmando que todos os oito Estados-membros já mostraram interesse em aceitar a Namíbia como observador associado, o que deverá ser formalizado na próxima cimeira da CPLP, em julho de 2014 em Díli, Murargy sublinhou: “É importante a sua entrada para a CPLP”.

O secretário executivo, que em abril visitou a Namíbia, recordou a proximidade da Namíbia com Angola, com quem tem uma fronteira de 1.300 quilómetros.

“A maior parte dos dirigentes namibianos estiveram em Angola, tiveram oportunidade de aprender português, conviver com Angola, partilham dos mesmos valores e princípios culturais que lhes permitem não se sentir um corpo estranho na CPLP. Estão perfeitamente integrados”, disse o responsável.

A Namíbia é um dos países africanos onde há ensino de português no Estrangeiro assegurado pelo Estado português.

Segundo Netumbo Nandi-Ndaitwa, o país decidiu introduzir o português nas escolas como segunda língua e a língua já é ensinada em 13 escolas, a mais de 1.100 alunos.

O objetivo do governo namibiano é ir progressivamente estendendo o ensino do português a todo o país.

“Não vivemos em isolamento e não podemos permitir que o nosso povo tenha uma única língua de trabalho, o inglês. Foi por isso que decidimos introduzir o português nas nossas escolas. Angola fala português e está muito perto, somos amigos de Moçambique e promovemos a cooperação económica e cultural com Portugal”, disse a ministra.

Antes da visita à CPLP, a ministra reuniu-se durante a manhã com o seu homólogo português, Rui Machete.

“Estou aqui em visita oficial a Portugal e já tivemos uma boa reunião esta manhã, muito bem sucedida”, disse, acrescentando: “Comprometemo-nos a reforçar a cooperação entre os dois países, tanto bilateralmente como no campo económico”.

 

FPA // JMR – Lusa/fim

Fotos:

– O secretário executivo da SADC – Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, Tomás Salomão (D) conversa com a ministra dos Negócios Estrangeiros da Namíbia, Netumbo Nandi-Ndaitwah (E), momentos antes do início da sessão de abertura da cimeira extraordinária dos chefes de Estado e de Governo da SADC, para analisar os últimos desenvolvimentos políticos na República Democrática do Congo, em Maputo, Moçambique, 08 de fevereiro de 2013. ANTONIO SILVA / LUSA

– Paisagem da Namíbia em 04 de abril de 1989. Com 824.246 quilômetros quadrados, semi-árido e uma população dispersa, a Namíbia é composto principalmente de um planicie na costa sudoeste da África, e que inclui dois desertos, o Namibe e o Kalahari. Luís Vasconcelos / Lusa Luís Vasconcelos/Lusa

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