“Se nós somarmos tudo, ensino público (básico e secundário), escolas privadas e universidades, nós temos milhares de pessoas a aprender português nos Estados Unidos”, disse Beatriz Cariello, também professora adjunta na Universidade Internacional da Florida (Florida International University – FIU) e professora de português na Doral Middle School, em Miami.

Beatriz Cariello acredita que o aumento do interesse pelo ensino do português, sobretudo nos últimos anos, deve-se às oportunidades de negócios que existem atualmente no Brasil, o fascínio que o país exerce e pela mudança de perfil dos imigrantes brasileiros, que desejam manter os filhos mais próximos das suas raízes.

“Eu trabalho como coordenadora académica de uma organização sem fins lucrativos em Miami que dá aulas de língua portuguesa aos sábados, sobretudo a filhos de brasileiros. Nós temos inscritas nos nossos cursos 400 crianças”, afirmou.

A vice-presidente da AOTP disse que só noutra escola privada que conhece há mais 200 crianças matriculadas.

“A escola pública Ada Merritt K-8 Center, em Miami, é bilíngue. As crianças matriculam-se no ensino inglês-português ou no ensino inglês-espanhol e ficam 40% do tempo das aulas a estudar em português e 60% do tempo em inglês”, disse, acrescentando que 500 estão inscritas no curso voltado para a língua portuguesa.

A professora indicou ainda que as escolas em Miami que lecionam o português como língua optativa são a Miami Beach Senior High School, a Ronald Reagan Doral Senior High e a John I. Smith K-8 Center.

“Só no sul da Florida, já temos mais de mil alunos a aprender português”, referiu.

“Nós temos também muitas organizações sem fins lucrativos que ensinam português ao sábado, entre uma a quatro horas”, indicou a professora, que é mestre em Língua Portuguesa pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

De acordo com um levantamento do Ministério das Relações Exteriores brasileiro, só nos Estados Unidos, há centenas de escolas deste tipo (tanto de iniciativa de brasileiros como de portugueses), que funcionam independentemente dos Governos do Brasil e de Portugal, sendo impossível conhecer o número exato do total de pessoas que aprendem português.

“A preponderância nos Estados Unidos é de professores brasileiros, embora na área de Connecticut, Nova Jérsia e Massachusetts haja muitos professores portugueses, assim como nas universidades”, afirmou a professora.

Nos Estados Unidos, há mais de um milhão de brasileiros e 195 mil cidadãos portugueses, além dos seus descendentes, de acordo com dados oficiais.

O instituto Camões adotou, há um ano, um sistema de acreditação de cursos e de escolas que estão fora da rede institucional portuguesa (EPE), sem que tenha ainda sido emitida nenhuma certificação.

Esta espécie de selo de garantia – que já é dado por instituições congéneres do Camões, como o British Council e o Instituto Cervantes (para o inglês e espanhol) – poderá ser atribuído às escolas que tenham os requisitos determinados pelo instituto português.

“Portugal, através do instituto Camões, fez uma parceria com o Miami Dade County Public Schools (escolas públicas do condado de Miami), assinando um memorando para a manutenção do ensino de português dentro das escolas públicas de Miami”, declarou ainda a professora.

Beatriz Cariello disse que o superintendente das escolas públicas de Miami Dade, Alberto Carvalho, é português.

“Teríamos que ter mais apoios dos governos, não só financeiro, mas no que diz respeito ao material didático, para a formação de professores e ainda o reconhecimento dos cursos, a equiparação ao ensino lecionado no Brasil (referindo-se às escolas sobretudo para brasileiros nos EUA), o que ainda não ocorre”, referiu.

“O que há é um exame (CEPEL-BRAS, do Governo brasileiro), que é aplicado aos maiores de 16 anos, para a verificação da proficiência na língua, servindo para quem desejar cursar, por exemplo, uma universidade ou ainda para determinadas profissões”, indicou.

O Governo português mantém uma rede do Ensino de Português no Estrangeiro (EPE), cursos de língua portuguesa integrados nos sistemas de ensino locais e cursos associativos e paralelos, assegurados pelo Estado em vários países do mundo, com 155 mil alunos nos vários níveis escolares, além de inúmeros leitorados.

O Brasil possui 21 centros culturais, que ensinam o português a cerca de 14 mil alunos, e 52 leitorados nas universidades em vários países.

Em relação às universidades, Beatriz Cariello sublinhou que nos últimos cinco anos houve um crescimento significativo dos cursos de português nas universidades, sendo os interessados maioritariamente norte-americanos.

“Com esse crescimento e valorização da língua portuguesa, os alunos têm-se matriculado e até temos alunos em listas de espera. Antes, eram só cursos para iniciantes, agora temos cursos com estudos avançados, incluindo estudos de literatura”.

Algumas das universidades norte-americanas que já oferecem cursos de português são a FIU, a Universidade de Harvard e o Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), entre muitas outras, além de academias militares, como a tradicional Academia de West Point.

CSR // MLL – Lusa/fim

Foto: LUSA – Nova Iorque, EUA, 04 de novembro de 2008. EPA/JUSTIN LANE