4 March 2021
Metade das descobertas de petróleo e gás natural entre 2005 e 2012 foram feitas no Brasil, Moçambique e Angola, destacou hoje em Luanda o presidente executivo da Galp Energia.

Metade do petróleo e gás descobertos entre 2005 e 2012 está em países lusófonos

Manuel Ferreira de Oliveira, que intervinha na conferência internacional “Eficiência Energética e Desenvolvimento Sustentável”, organizada pela KPMG, defendeu que esse facto traz “especial responsabilidade ao espaço lusófono”.

“Isto traz uma especial responsabilidade ao espaço lusófono. Posso dizer-lhes, inequivocamente, que essas descobertas agregadas à sustentabilidade dos sucessos passados, que Angola transforma o espaço lusófono, reposicionam, em termos geopolíticos, o espaço lusófono na economia global. Não tenho dúvida nenhuma sobre isso”, frisou.

Para Ferreira de Oliveira, tal constitui um desafio para o qual os lusófonos se devem preparar, “ocupando no mundo o papel que a geologia chama a desempenhar”.

O presidente executivo da Galp Energia destacou ainda o facto da empresa portuguesa estar presente nestes três países.

No final, em declarações à imprensa, retomou a ideia de quão importante é essa presença.

“Nós no Brasil temos uma presença que é materialmente muito superior à que temos em Angola, sem que em termos qualitativos seja diferente. A verdade é que no Brasil hoje temos uma presença ativa em cerca de 20 blocos de produção, enquanto aqui temos cinco”, acentuou.

Ferreira de Oliveira salientou depois o facto da empresa portuguesa, num processo de licitação que decorreu há dias, ter adquirido a participação em mais nove blocos no Brasil.

“Reforçámos a presença no Brasil, na atividade de exploração e aqui estamos (em Angola) para ver o que o futuro nos traz. A nossa presença em Moçambique também é materialmente muito relevante no que diz respeito à área do gás”, acrescentou.

Instado a comentar a notícia publicada hoje na edição de Angola do semanário Sol, segundo a qual a Galp está importar mais crude angolano, que já representa 25 por cento do total, em alternativa ao que era comprado no Médio Oriente, Ferreira de Oliveira disse que Portugal “sempre foi comprador do crude angolano”.

“Compramos por dia 300 mil barris de crude em todo o mundo: norte de África, costa ocidental de África, Médio Oriente, Rússia e Mar do Norte e algum da América Latina”, indicou.

“Sempre fomos compradores de crude angolano. A nossa refinaria de Sines processa muito bem o crude angolano, que é vendido nos mercados internacionais a preços competitivos, e nós, sempre que modelos económicos determinam que ele é a melhor fonte de abastecimento para processarmos na refinaria, compramos”, vincou.

“E temos muito gosto em continuar a comprar”, concluiu.

 

EL/NME // APN – Lusa/Fim

Foto: LUSA – Navio plataforma “FPSO Cidade de Angra dos Reis” da Petrobras, 28 de outubro de 2010.

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