O projeto de resolução foi apresentado hoje em conferência de imprensa pelo ministro Démis Lobo Almeida, para dar conta das decisões saídas do Conselho de Ministros cabo-verdiano realizado quinta-feira, indicando que outras das medidas será a introdução de uma disciplina sobre didática da língua cabo-verdiana no curso de licenciatura em Educação Básica, lecionado no Instituto Universitário da Educação (IUE).

O Ministério das Comunidades cabo-verdiano vai ainda lançar editais para as instituições linguísticas ou de cultura cabo-verdiana na diáspora, para apresentação de projetos que contribuem para a promoção e valorização da língua e da cultura cabo-verdianas.

Também serão lançados editais governamentais para instituições que criarem programas inovadores de ensino e de investigação sobre a língua cabo-verdiana bem como incentivos para órgãos de imprensa que criarem páginas ou programas em crioulo.

Ainda este ano, informou Démis Lobo Almeida, o Governo vai criar o Centro de Língua e Cultura Cabo-verdianas, órgão adjacente ao Ministério da Cultura e que terá como objetivo proceder ao estudo científico da língua e da cultura cabo-verdianas.

Démis Almeida disse que as medidas tomadas pelo Governo servem para a dignificação da língua materna e todas as condições estão reunidas para que, numa próxima revisão constitucional, se cogite “seriamente” a oficialização do crioulo, em paridade com o português.

“É nesta base que tomamos mais esta medida com vista ao reforço das medidas que já vinham sendo tomadas, numa lógica do aprofundamento da dignidade da língua, mas também de se colocar o ensino da língua nas nossas escolas. É um passo muito importante”, prosseguiu.

Questionado se o processo poderá ficar deficiente por causa das variantes do crioulo nas diversas ilhas do país, o ministro rebateu que se trata de uma “falsa questão”, uma vez que não se está a instituir uma variante da língua mas sim o seu ensino e que os professores terão competências para ensinar qualquer variante.

Na semana passada, o primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria Neves, manifestou a vontade de acelerar a introdução do crioulo no processo de ensino e aprendizagem, considerando que isso vai permitir levar mais afetividade às salas de aula e fazer com que as crianças estejam mais soltas e mais motivadas.

O crioulo é língua que os cabo-verdianos falam no dia-a-dia, mas a sua introdução nos currículos escolares só aconteceu no ano letivo de 2013/2014 em duas escolas-piloto na ilha de Santiago.

RYPE // APN – Lusa/Fim


Fotos:

– Escola na aldeia dos Rabelados, Espinho Branco, Ilha de Santiago, em Cabo Verde, 7 de fevereiro de 2009. OMAR CAMILO/LUSA

–  Um habitante passeia de bicicleta, numa rua da cidade do Mindelo, Cabo Verde 03 dezembro de 2012. ANTÓNIO COTRIM/LUSA