3 March 2021
Mariza no Coliseu do Porto, Portugal, 26 de novembro de 2015. JOSE COELHO/LUSA

Mariza, embaixadora do fado, património imaterial da humanidade

A artista de 39 anos, que fez uma pausa na carreira em 2011 e 2012 depois de ter sido mãe, diz que descobriu “novas emoções neste regresso” aos palcos internacionais.

“Acho que mudei imenso. Tenho novas perspetivas sobre as emoções, uma maneira diferente de olhar os sentimentos. Ganhei uma nova forma de viver a música”, diz em entrevista à agência Lusa.

“Todos os anos são diferentes, já conhecemos melhor as salas e o público. Mas, nesta digressão, fizemos algumas coisas diferentes, como ir a cidades onde nunca tínhamos estado. Atuámos em Las Vegas, onde acho que o fado nunca tinha estado”, explicou a artista, que já vendeu um milhão de discos e fez mais de mil concertos.

Mariza disse que “existiam muitos portugueses” na cidade do Nevada, o que a surpreendeu, mas que “talvez 60% do público fosse americano”.

“Sabiam quem eu era, mas não me conheciam bem. Então estavam a tentar perceber que música cantava, o que era o fado. Isso é muito enriquecedor, passados 12 anos ainda levar o fado a novos públicos”, disse a artista.

Além de Las Vegas, no Nevada, Mariza fez no último mês um total de 17 espetáculos, de Los Angeles, na Califórnia, a Austin, no Texas, a Vancouver, no Canadá, e a Washington, na Virgínia.

A artista revelou à agência Lusa que o seu novo álbum, que reúne os seus maiores êxitos, terá dois temas originais e deverá ser lançado antes do Natal. Para 2014, está planeado um novo álbum de originais.

Nos Estados Unidos, a portuguesa tem cantado músicas de todos os discos editados e feito algumas versões, como “Smile”, de Nat King Cole.

“Nesta digressão, tentámos tocar em salas mais pequenas e estar mais perto do público. Tinha uma necessidade gigante de estar mais perto das pessoas. Queria perceber que músicas tinha feito, que tinham ficado com as pessoas; queria perceber que temas as pessoas sentem mais, quais é que as fazem ficar mais emotivas, mais fadistas”, afirmou à agência Lusa.

Mariza disse que “há sempre muitos portugueses nos espetáculos, o que nos faz sentir muito bem”, mas que há mais americanos.

“Significa que estou a chegar a outro tipo de público, o que é extraordinariamente importante para um artista”, explicou.

Mariza teve um papel de relevo na candidatura do fado a Património Imaterial da Humanidade, no âmbito da Unesco, a organização das Nações Unidas para a Educação Ciência e Cultura.

A classificação foi obtida em 2011, e Mariza garante que a distinção mudou a forma como as pessoas olham para o fado.

“As pessoas falam disso. Têm um carinho maior, mais interesse, vontade de perceber a história e as origens do fado”, disse à Lusa.

A fadista atua sexta-feira no Carnegie Hall, onde subiu ao palco pela primeira vez em outubro de 2005, e será acompanhada por José Manuel Neto, na guitarra portuguesa, Pedro Jóia, na viola, Yami, na viola baixo, e Vicky Marques, nas percussões.

A digressão mundial de Mariza termina a 13 de dezembro, na Europa Central e de Leste, passando por Dortmund e Munique, na Alemanha, Bruges e Antuérpia, na Bélgica, Zurique, na Suíça, Belgrado, na Sérvia, e Budapeste, na Hungria.

AYS // MAG – Lusa/Fim

Fotos LUSA:

– Mariza num concerto em Lisboa, 9 de maio de 2008. EPA/MIGUEL A. LOPES

– Mariza a cantar um tema de Amália, Lisboa, 11 de dezembro de 2008. TIAGO PETINGA/LUSA

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