8 March 2021
"Mar", com texto de Ricardo Henriques e ilustrações de André Letria recebeu uma menção honrosa no Prémio Bologna Ragazzi 2014 na categoria de Não Ficção. Disse o júri internacional: “O design e a ilustração deste livro são o eco perfeito do tema marítimo.

Mar foi concebido como um “actividário: actividades+abecedário”.

O planeta Mar

A obra lança uma interrogação logo à partida: “Se o nosso planeta tem mais mar que terra, então porque é que não se chama planeta Mar?” Segue-se um alfabeto temático, com água por todos os lados. Começa precisamente com a definição de “água” e acaba com a de “zooplâncton”.

Para o autor do texto, que assim se estreia no mundo dos livros, o prémio “é um incentivo bastante simpático”, mas quer realçar: “O trabalho do André é mais preponderante. Os miúdos entram no livro pela ilustração e pela composição.”

Um projecto pensado em conjunto e bastante discutido em todos os pormenores. A co-autoria é assim apresentada: textos de Ricardo Henriques, “com bitaites de André Letria”; ilustrações de André Letria, “com alvitres de Ricardo Henriques”.

“Era para ter à volta de 32 páginas, mas eu entusiasmei-me e acabou em 56”, conta divertido. Aí, reconhece, valeu-lhe bastante o editor ser também designer e ilustrador: “O André sempre foi arranjando forma de encaixar as coisas.”

A escolha das palavras “marítimas” foi objecto de uma apurada investigação, mas a decisão de as integrar neste alfabeto nem sempre se regeu “pelo critério da importância”. Houve outros, como “a sonoridade” dos vocábulos. O autor recorda o caso de “bonasvolhas”. “Como o livro é infanto-juvenil, também pudemos brincar um bocadinho”, conta este apaixonado pelo mar e que quase foi para a Marinha.

Significado de “bonasvolhas”: “A maior parte dos remadores das galés eram prisioneiros inimigos ou pessoas condenadas a trabalhos forçados. Mais raros eram os voluntários com salários ou bonasvolhas, nome que vem do italiano buona voglia (de boa vontade), que deixavam crescer um tufo de cabelo no alto da cabeça para se distinguirem do resto da chusma” (pág. 9).

As palavras “excluídas indignadas”

No final, há uma “lista das excluídas indignadas”. São as palavras que não constam deste dicionário, como “cargueiro”, “naufrágio”, “ostra”, entre outras. E é assim que começa a reclamação: “Nós, palavras abaixo-assinadas, vimos por este meio expressar a nossa indignação extrema por termos sido excluídas deste actividário de fim-de-semana, um pasquim com entradas e nenhuma saída que merecia ir directamente para uma fogueira de santelmo (ao menos esse conseguiu entrar).”

“Sempre que fazemos listas, há os excluídos e pensámos que esta era uma forma divertida de não deixarmos esquecidas algumas outras palavras importantes e interessantes”, diz Ricardo Henriques, que vive indeciso entre “dois amores”. Herdou “o gosto pelo desenho da parte do pai e o gozo da escrita da parte da mãe”. Por isso, no seu percurso profissional, entram “design gráfico, ilustração, redacção publicitária e escrita para imprensa”. Agora, também a escrita para crianças e jovens. O próximo actividário com a sua assinatura tem “o futuro” como tema e será publicado em Junho. Ler o artigo completo.

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