3 March 2021
"Não é só dizer que precisamos de estar presentes nas organizações internacionais, é preciso fazer um trabalho prévio de formação de intérpretes de conferência, e sobretudo conseguir que eles tenham outras línguas, que não as mais tradicionais, como línguas ativas, nomeadamente línguas africanas", disse Ana Paula Laborinho.

Mais formação de intérpretes para garantir português nas organizações internacionais

A presidente do instituto Camões, Ana Paula Laborinho, disse hoje, em Lisboa, que não basta vontade política para ter o português nas organizações internacionais e defendeu a aposta na formação de mais tradutores e intérpretes para assegurar essa presença.

 

A presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua falava aos jornalistas à margem do I Congresso Internacional de Língua Portuguesa, que decorreu na quarta e na quinta-feira em Lisboa, numa organização do Observatório da Língua Portuguesa e da Universidade Lusíada.

Ana Paulo Laborinho sublinhou que é preciso ter em conta que existem muitas organizações internacionais em África, destacando a importância de ter intérpretes que dominem o swahili ou o árabe.

Sobre o objetivo de ter o português como língua de trabalho nas Nações Unidas, Ana Paula Laborinho disse que às dificuldades associadas à escassez de tradutores e intérpretes se somam os custos de manter uma estrutura de tradução em permanência.

“Essa é uma estrutura muito cara e para ter em permanência estruturas de tradução é preciso o envolvimento de todos os países [lusófonos] para o conseguir. O português já é língua de documentação [das Nações Unidas], mas precisamos de ir mais longe. Para isso, precisamos de ter os tradutores e ainda não temos formação suficiente que nos permita dispor desses quadros”, disse Ana Paula Laborinho.

O português é língua de trabalho de várias organizações regionais e internacionais, incluindo a União Europeia, União Africana, Mercosul ou a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC).

CFF // VM.

Lusa/Fim

Foto: Ana Paula Laborinho, Presidente do Camões, Lisboa, 15 de janeiro de 2011. ANTONIO COTRIM/LUSA

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