Macau, China, 31 mar (Lusa) – Mais de 700 produtos alimentares de países de língua portuguesa estão desde hoje expostos em Macau e acessíveis para compra através de um portal desenvolvido pelo Governo da região que garante a sua entrega na China continental.

Os produtos podem ser encomendados por empresas ou por qualquer pessoa individualmente, explicou Glória Batalha Ung, da direção do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), a entidade responsável pelo Centro de Exposição dos Produtos Alimentares dos Países de Língua Portuguesa hoje inaugurado e pelo portal que permite a sua comercialização em Macau e na China.

“O número de produtos à venda nesta plataforma ‘online’ e com entrega disponível na China continental será continuamente alargado”, assegurou Gloria Batalha Ung.

No centro comercial do Tap Seac, onde foi instalada esta exposição, há sobretudo produtos de Portugal, mas também de Angola, Cabo Verde, Timor-Leste, Guiné Bissau e Moçambique e de “agências distribuidoras de Macau”, envolvendo um total de 60 empresas, segundo o IPIM.

Cada produto está associado a códigos QR que remetem automaticamente para a plataforma de comercialização, em que podem ser encomendados e em que está disponível uma ficha de informação com dados dos produtores e distribuidores.

No centro de exposição há também “apoio empresarial, bolsas de contactos e canais de intercâmbio para empresas”, por exemplo, segundo Gloria Batalha Ung.

A abertura deste espaço insere-se na estratégia definida por Pequim de transformar Macau na plataforma de promoção das relações económicas entre a China e os países de língua portuguesa.

As trocas comerciais entre a China e os países de língua portuguesa caíram 25, 7% em 2015, naquela que foi a primeira queda desde 2009.

Gloria Batalha Ung considerou as oscilações nas trocas comerciais “uma coisa muito natural” e reiterou a aposta em criar pontes entre empresários de todas as partes, dizendo que no futuro “haverá mais negócios”.

A responsável desvalorizou também a instabilidade política em alguns países lusófonos, dizendo que não perturba as relações comerciais que podem ser desenvolvidas.

Além deste centro de exposição em Macau, o IPIM pretende abrir cinco espaços para mostra de produtos alimentares dos países de língua portuguesa na China continental, estando o primeiro já a funcionar desde janeiro na cidade de Fuzhou (no sul do país).

O embaixador de Portugal em Pequim, Jorge Torres Pereira, saudou a iniciativa que hoje arrancou, destacando que o comércio eletrónico é o “caminho do futuro” e que “gostaria que esta fosse mais uma das portas de entrada possíveis dos produtos alimentares portugueses na China continental”.

O embaixador acrescentou que as “questões de certificação são as mais prementes e prioritárias a resolver”, dando como exemplo o caso da carne de porco e derivados de Portugal, que não podem ser vendidos na China, e o dos lacticínios nacionais, que só no ano passado tiveram autorização entrar no mercado chinês.

MP // VM – Lusa/Fim

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