Falar de Nós

 

Joaquim Magalhães Castro, no âmbito da iniciativa ?7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo’, embarca numa viagem de reconhecimento ao encontro dos inúmeros ecos da presença lusa no globo”.

 

Nos meses de Abril, Maio, Junho e Julho, organizam-se feiras do livro em muitas cidades de Portugal, a mais importante das quais é a de Lisboa, habitualmente realizada no Parque Eduardo VII, em Maio. Não obstante a crise financeira que afecta o país, a última edição conseguiu o sucesso pretendido, tendo a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) anunciado resultados muito satisfatórios, com milhares de visitantes a percorrerem os pavilhões ostentando sacos cheios de livros, ali disponibilizados com descontos especiais. A presença de autores já consagrados e de outros mais novos, em sessões de autógrafos, lançamentos de livros e actividades de índole cultural animaram o recinto, naquele belíssimo enquadramento de parque urbano airosamente traçado.

 

A RAEM esteve uma vez mais presente, através do Centro de Informação e Promoção Turística de Macau, que teve o seu próprio “stand” com uma boa selecção de obras publicadas no território ou com ele relacionadas. Os seus responsáveis, à semelhança do formato aprovado em anos anteriores, também organizaram encontros com autores de livros expostos nos seus escaparates. Aquele Centro mantém em funcionamento, junto da Delegação Económica e Comercial de Macau (antiga Missão de Macau) em Lisboa, uma livraria.

Durante a feira, foi homenageado pela APEL o conhecido editor Francisco da Conceição Espadinha, presidente e proprietário da Editorial Presença, que completou 50 anos de existência em 2010, sendo uma verdadeira história de sucesso. Francisco Espadinha, licenciado em Direiro, é natural de Macau e curador da Fundação Casa de Macau. Dá gosto visitar as magníficas instalações da Presença, nos arredores de Lisboa, verificar o profissionalismo do seu funcionamento e confirmar a qualidade e variedade das suas edições, sendo também um prazer falar com ele, pela abrangência de assuntos que sabe abordar, como homem culto que é.

 

Nova obra de Joaquim Castro

Depois de “Mar das Especiarias ? a Viagem de um Português pela Indonésia ”(2009) e “Viagem ao Tecto do Mundo ? o Tibete Desconhecido” (2010) a Presença acaba de publicar mais uma obra do nosso Joaquim Magalhães Castro, intitulada “No Mundo das Maravilhas ? Viagem ao Património de Origem Portuguesa do Uruguai a Omã”.

Joaquim Castro identifica-se como um “andarilho compulsivo” que tem percorrido o mundo, fotografando e escrevendo sobre os locais por onde os portugueses passaram e deixaram memórias e marcas visíveis. Colabora em diversos jornais e revistas e é autor dos seguintes livros, além dos atrás referidos: “Os Bayingys no Vale de Mu ? Luso Descendentes na Birmânia” (2001) e “A Maravilha do Outro ? No Rasto de Fernão Mendes Pinto” (2004). Dele são também os documentários “A Outra Face da Birmânia” (2001) e “Dund ? Viagem à Mongólia” (2004). Outras obras suas estão no prelo ou em preparação. São, de facto, de louvar a sua disponibilidade, persistência e capacidade, viajando para lugares recônditos e relatando em prosa agradável as suas riquíssimas vivências. As suas máximas são “quem não insiste, desiste” e “podemos ser como somos e sermos fortes”.

Estive presente na sessão de lançamento deste seu último livro, que li avidamente. Apresentou-o o comandante do navio-escola Sagres, em cuja viagem ao redor do mundo Joaquim Castro participou, de Goa até Lisboa. Foi bom ouvir as referências positivas daquele oficial da armada portuguesa à forma como ele se integrou na tripulação e foi por ela acolhido. Conseguiu fazê-lo através da Fundação Jorge Álvares, que fez o pedido ao Estado-Maior da Armada. Dessa experiência há-de resultar mais um livro e, em breve, será apresentada em Macau uma exposição fotográfica, com o apoio do Instituto Internacional de Macau.

 

No Mundo das Maravilhas

No verso da capa, é-nos lembrado que “desde o início da expansão marítima, os portugueses deixaram um riquíssimo legado pelos sítios por onde passaram, e que ainda hoje assume as mais diversas formas, podendo manifestar-se através de costumes, tradições, gastronomia, arquitectura ou expressões linguísticas”. “Com o intuito de documentar parte deste património, Joaquim Magalhães Castro, no âmbito da iniciativa ?7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo’, embarca numa viagem de reconhecimento aos encontro dos inúmeros ecos da presença luso no globo”. “No Mundo das Maravilhas” leva-nos a conhecer lugares e histórias surpreendentes, ao longo de milhares de quilómetros que vão da América do Sul à costa leste africana, terminando no Golfo Pérsico, indo das pampas gaúchas ao Amazonas e do Sul de África às vizinhanças de Meca.

O livro tem quinze capítulos, bem escritos e documentados. Podem, por isso, ser lidos duma assentada, como quem lê um romance e não quer perder o fio à meada. E cada um deles é uma lição sobre as pedras da História e sobre hábitos, costumes e tradições que venceram o tempo. Nestas viagens está sempre presente um certo rumor luso de praias distantes e de épocas de aventura, de coragem e de glória, bem como do mar salgado onde se misturaram lágrimas imensas de Portugal. Com o autor visitamos a “cidade protuguesa” de Colónia de Sacramento, o único local distinguido pela UNESCO no Uruguai, Montevideu, capital do Uruguai, Porto Alegre, Belo Horizonte, Ouro Preto, Mariana, Congonhas, Rio de Janeiro, Salvador da Baía, Recife, Olinda e Porto Velho, no Brasil, e depois, na costa oriental de África, Maputo, Nampula, Ilha de Moçambique, Mocimba da Praia, Palma, Quíloa, Dar-es-Salam, Mombaça e Nairobi, e ainda Mascate (Omã) e o estado islâmico de Bahrein, no Golfo Pérsico.

 

Património luso

Na introdução ao livro, Joaquim Castro explica-nos o seu envolvimento activo e interessado na realização deste projecto de conhecimento e divulgação do património luso no mundo:

“Quando em Outubro de 2008 o então editor da UP (revista de bordo da TAP) João Macdonald me convidou a escrever sobre as Sete Maravilhas de Origem Portuguesa, soube que tinha de me agarrar ao projecto de corpo e alma, pois este é, afinal, o campo onde me tenho movido nos últimos anos e onde melhor me sinto. Profissionalmente, exerço aquilo que pode designar-se por jornalismo de investigação histórica, de resto, o que vai ao encontro da minha formação escolar. Sendo o meu objectivo a divulgação, junto do grande público, de algum do conhecimento que por norma se restringe aos círculos académicos, torna-se obrigatório viajar para os locais onde subsiste ainda a fonte desse conhecimento, de forma a conseguir uma observação directa que complemente o que se aprende nas bibliotecas e salas de aula.

Mesmo antes de partir para o terreno, munido com equipamento fotográfico apropriado, computador e um bom par de livros ? entre os quais incluo a História da Expansão Portuguesa, de Jaime Cortesão, porventura a melhor síntese da epopeia dos Descobrimentos ?, estava consciente da dificuldade em separar o trigo do joio num campo tão fértil como o que estava em jogo, ou melhor dizendo, a concurso. A realidade no terreno é sempre mais vasta do que a imaginada, surpeendente até para o mais bem preparado dos investigadores com espírito viandante.”

E partiu assim à descoberta e com o propósito de divulgar, sabendo bem que é “desgraçado o povo que se contenta com meras lembranças”, porque “a implacável roda do tempo tende a apagá-las, por completo”. “Para que os vestígios da nossa presença, do nosso legado, não caiam no esquecimento, deveríamos actuar como se estivessemos perante um ente querido ou um amigo que não vemos há muito tempo e realizar visitas regulares a esses locais. Isto, enquanto desígnios mais altos não tomam a decisão de levar a cabo uma investigação séria no sentido de pesquisar e inventariar o património português presente noutras culturas”. De facto, há ainda muito a fazer neste domínio.

O contributo extraordinário de Joaquim Castro, no que já fez e no que ainda quer e vai fazer, merece o reconhecimento e o aplauso de todos nós. Ficamos agora à espera do seu próximo livro.

 

 

Jorge A. H. Rangel, Presidente do Instituto Internacional de Macau.

 

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