Apresentado por Eduardo Lourenço, Dabiela Marcheschi e Fernando Cristóvão no encerramento do XV Congresso CILEC “El canon y su circunstancia: Literatura, periodismo y cine.” (Universidades Complutense de Madrid, la Coruña e Lisboa, Junho-Julho/2014),  Luz & Sombras do Cânione Literário (Lisboa, Esfera do Caos, 2014), de Annabela Rita, surge como uma obra imprescindível na reflexão sobre o tema, fazendo uma travessia desde a Antiguidade Clássica até aos autores contemporâneos.

Cânone Literário contempla e implica controvérsia, discordância e mudança. Aqui, a autora faz uma abordagem do conceito nos quadros ocidental, europeu, lusófono e nacional (conceitos que problematiza), assinalando a diversidade conceptual, a vertigem e dissonância das listas, a natureza de algumas delas, os problemas que se colocam na sua definição e na sua metamorfose, as suas implicações e limitações. Reconhecendo a utilidade do conceito e o mérito dos autores que o têm tratado, a autora relativiza a validade do que é habitualmente designado dessa forma em função da sua historicidade, circunstancialidade. Segundo Daniela Marcheschi, especialista de Teoria da Literatura reconhecida em Itália, “Este ensaio de Annabela Rita é um percurso original de reflexão sobre o Cânone ou sobre os cânones literários no âmbito lusófono e não apenas, através da ‘luz’ e da ‘sombra’ de um problema complexo que a cultura, ou melhor, a civilização europeia se coloca desde há muitos séculos” (da abertura do seu prefácio a Luz & Sombras do Cânone Literário).

Das ‘grandes angulares’ aos zooms exemplificadores (entre consagrados e novos autores ou textos), Annabela Rita defende a tese da emergência e (re)configurações do(s) Cânone(s) Literário(s) no quadro das culturas nacionais e do diálogo interartístico, inscrição que o justifica, esclarece e motiva a sua transformação e variação no tempo e no espaço: cada comunidade vai (re)definindo o seu cânone à luz da hermenêutica da sua cultura e da sua estética e em função da sua perspectiva do modo como se inscreve ou concebe na ‘universalidade’.

No caso das Literaturas Lusófonas a que dedica alargada reflexão, Annabela Rita enumera os problemas da definição do(s) seu(s) Cânone(s) e da elaboração de manuais, antologias ou colecções em que eles confluam com comparativa visibilidade: os critérios estéticos e a sua problemática e epocal relação com as molduras culturais, linguísticas, interartísticas; os casos de autores e textos que, comuns a diferentes literaturas nacionais, acabam por adquirir estranheza pela ‘intersecção referencial’ que os constitui; as questões a resolver na composição de uma antologia lusófona (de estrutura, cronologia, representação, etc.), etc..

Enfim, como salienta Fernando Cristóvão, autor do prefácio “cânone entre a estese e a antropologia”, é “um excelente e oportuno contributo para a elaboração de um cânone lusófono”.

“Bem anda a Autora destes ensaios, que, em zoom de grande angular, vai ‘dos clássicos a Dan Brown’, preconizando o ‘encontro de um saber de verdade última sobre o universo e o lugar do homem nele, mas também sobre a natureza do próprio conhecimento’ (…). Em suma, um excelente e oportuno contributo para a elaboração de um cânone lusófono e para a reflexão sobre o cânone, em geral.” Excertos do Prefácio de Fernando Cristóvão
“Impressiona a insistência sobre as temáticas convergentes e divergentes nas obras, e a multiplicidade dos exemplos e das múltiplas perspectivas culturais através das quais Annabela Rita se interroga sobre o Cânone, a pluralidade da literatura, as tradições dos géneros, e das suas implicações e aberturas simbólicas, até à interacção entre as artes. Este volume — com seus horizontes interdisciplinares e interculturais — é, portanto, uma das mais confiáveis réplicas europeias a uma obra como a de Bloom…” Excerto do Prefácio de Daniela Marcheschi
SOBRE A AUTORA:
Annabela Rita. Doutorada e com Agregação em Literatura. Professora na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Presidente do Instituto Fernando Pessoa – Língua Portuguesa e Culturas Lusófonas. Vice-Presidente dos Conselhos Científicos do Observatório da Língua Portuguesa e do Instituto Europeu de Ciências da Cultura, membro dos Conselhos Consultivos da Fundação Marquês de Pombal, da CompaRes (Associação Internacional de Estudos Ibero-Eslavos), do Instituto de Cultura Europeia e Atlântica e do Observatório Político. Membro da Direcção da Associação Portuguesa de Escritores. Integrou a Missão para o Relatório sobre o Processo de Bolonha e foi Conselheira para a Igualdade de Oportunidades do MCTES. Foi também Presidente das Direcções do CLEPUL (Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias) e da Associação Portuguesa de Tradutores.
Além da direcção de várias colecções ensaísticas, da edição prefaciada de autores nacionais consagrados, de vasta colaboração dispersa em Portugal e no estrangeiro, com frequente participação em júris de prémios literários nacionais e internacionais, é autora de diversas obras ensaísticas, nomeadamente: Focais Literárias, 2012; Paisagem & Figuras, 2011; Cartografias Literárias, 2010; Itinerário, 2009; No Fundo dos Espelhos (2 vols.), 2003-07; Emergências Estéticas, 2006; Breves & Longas no País das Maravilhas, 2004; Labirinto Sensível, 2003; Eça de Queirós Cronista. Do “Distrito de Évora” (1867) às “Farpas” (1871-72), 1998.
COLECCÇÃO LUSO-GRAPHIAS/PHONIAS
Conselho Científico: Annabela Rita • Béata Elzbieta Cieszynska • Elisabeth Baptista • Fernando Cristóvão • Guilherme d’Oliveira Martins • Jorge Rangel • José Eduardo Franco • José Jorge Letria • José Rosas • Maria José Craveiro • Miguel Real • Moisés de Lemos Martins
Responsabilidade científica: CLEPUL, Centro de Estudos de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Instituições associadas: IECC, Instituto Europeu de Ciências da Cultura Padre Manuel Antunes • Revista Letras Com Vida • LusoSofia, Biblioteca OnLine de Filosofia e Cultura, Universidade da Beira Interior • Instituto Internacional de Macau • APT, Associação Portuguesa de Tradutores • CompaRes, Associação Internacional de Estudos Ibero-Eslavos • Observatório da Língua Portuguesa • SPA, Sociedade Portuguesa de Autores • SOPCOM, Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação • CECS, Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho • Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

Para ler a entrevista de Annabela Rita ao JL clique aqui

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