Foram muitas as dúvidas e provocações que Joaquim Chissano deixou numa das conferências que assinala os 40 anos do semanário Expresso, que hoje decorrem no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Sem arriscar dizer que um dia a lusofonia poderá deixar de ser utopia, Chissano questionou o termo e o conceito, falando na “inculturação” do espaço lusófono “por um dos povos”, leia-se Portugal.

Aliás, disse, “em Portugal, não se encontram as culturas” dos outros designados países lusófonos, são “visitantes” apenas, comparou.

Ou seja, o conceito de lusofonia pode significar uma “exclusão da diversidade”, realçou.

Os “maiores desafios” são, disse, saber “como usar para interesse comum as capacidades de todos” e, antes disso, “definir o que é o interesse comum”.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) foi a “expressão política” de uma vontade de união, mas os seus membros precisam de chegar ainda a acordo sobre “uma mesma perspetiva”, defendei Chissano.

Se a lusofonia “é um espaço cultural, tem ainda muito caminho por andar”, afirmou. “O nos une não é a língua, é que o que decidirmos fazer com ela”, disse.

 

SBR // VM.

Lusa/Fim

Foto: LUSA – Joaquim Chissano (C), 07/01/2013, JOSE SENA GOULAO / LUSA

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