Luanda, 27 mar (Lusa) – Luanda tem 159 grupos de teatro, que congregam cerca de 3.000 atores, a maioria amadores, e a trabalhar em salas adaptadas para atividade, uma das principais dificuldades que enfrentam, anunciou hoje a Associação Angolana de Teatro.

Em declarações à agência Lusa, o vice-presidente daquela associação, Orlando Domingos, disse que foi realizado um inquérito sobre o número de grupos teatrais existentes na capital angolana, apresentado hoje em comemoração ao Dia Mundial do Teatro.

Segundo o responsável, os grupos cadastrados estão no ativo, sendo na sua maioria jovens entre os 15 e 35 anos.

Orlando Domingos referiu que ainda este ano, o mesmo exercício será feito no resto do país, salientando que têm já dados da província do Cuanza Sul, e proximamente chegarão os do Cuanza Norte e de Malange.

“A partir daí já podemos fazer projetos, previsões e lançarmos os indicadores para aquelas ações que nós queremos para o melhoramento do teatro em Angola”, referiu, salientando que “o teatro angolano é baseado nas dificuldades”.

O responsável associativo defende um maior apoio das autoridades para o desenvolvimento da arte e a sua inclusão nos projetos estruturais da província.

“Estamos a estabelecer uma parceria com o Ministério da Cultura, não temos recebido aquele apoio desejado, mas estamos a estabelecer ligações e este trabalho vem justamente para dizer e mostrar às autoridades que é preciso e é possível fazer-se alguma coisa de concreto”, disse.

De acordo com o vice-presidente da Associação Angolana de Teatro, “há dificuldades, há falta de meios”, mas os grupos têm conseguido vencê-las.

“Estamos a trabalhar em espaços adaptados, queremos que a partir de agora a governação começasse a trabalhar em condições de ver e projetar por exemplo, ao nível dos municípios, um teatro municipal, porque é a juventude que precisa dessa ocupação, orientação”, frisou.

Orlando Domingos lamentou que em Luanda não existam salas de teatro, e a arte tenha de ser feita em anfiteatros, salões multiusos, adaptados para o efeito.

“Nós não temos um teatro de facto, o único teatro que tivemos era o Teatro Avenida, mas foi demolido para ser erguida uma nova sala de teatro, entretanto, já lá vão dez anos e não se sabe ao certo o que é que se faz a esse nível”, realçou.

O Ministério da Cultura, na sua mensagem alusiva à data, reconheceu a falta de infraestruturas nas comunidades, que não permite que os grupos se apresentem sem grandes dificuldades as suas obras, com a regularidade desejada.

NME // EL – Lusa/Fim
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