Lisboa, 21 nov (Lusa) – O poeta cabo-verdiano José Luís Tavares considerou hoje que Lisboa é uma cidade “nem negra nem branca, mas mestiça”, com as suas próprias “melancolias” e “rudezas”, a propósito do livro “Lisbon Blues”, recentemente publicado em Portugal.

A obra, a sétima poética, foi editada pela primeira vez em 2008, apenas no Brasil, tendo ganhado vários prémios internacionais, foi publicada este mês em Portugal pela Assírio & Alvim, e retrata o olhar de José Luís Tavares sobre a cidade que o acolhe desde 1988, ano em que chegou a Lisboa oriundo do Tarrafal de Santiago.

“O livro não é triste nem melancólico. O «blues», aqui, é uma cadência muito própria, tirar a melancolia do Fado. É essa a minha visão de Lisboa”, explicou o autor, de 48 anos.

“Quando cheguei, em 1988, olhei para a cidade e reparei que tinha um certo ritmo, uma certa cadência que não era o Fado mas sim o «blues», com uma cadência, ainda que com uma certa melancolia, mas mais agreste, mais rude”, acrescentou.

A “rudeza”, sublinhou, advém de uma “dura realidade” que encontrou na cidade, sobretudo depois da tragédia que vitimou um seu amigo cabo-verdiano, assassinado no dia dos seus anos (10 de junho), o que acabou por, disse, desencadear a escrita da obra.

“Lisboa é uma cidade acolhedora, amável, mas, como tudo no mundo, também tem o seu contrário, o seu revés. Mas tem uma grande tradição de cultura negra, embora ela não seja imediatamente visível”, realçou José Luís Tavares.

Lembrando que a capital portuguesa acolhe comunidades negras desde a época das Descobertas (séculos XV e XVI) – “até havia confrarias de Homem Negro, com um Santo Negro” -, o autor considera também Lisboa “uma das grandes metrópoles africanas” no mundo.

“Isto tudo não quer dizer que Lisboa seja uma cidade negra, mas também não é uma cidade branca. É uma cidade mestiça. É uma das grandes metrópoles africanas no mundo”, argumentou.

José Luís Tavares já publicou “Paraíso Apagado por um Trovão” (Lisboa, 2003) e “Agreste Matéria Mundo”(2006), que recebeu nesse ano o Prémio Jorge Barbosa da Associação de Escritores Cabo-verdianos.

O autor publicou também “Cabotagem & Ressaca” (Maputo, 2008), “Lisbon Blues” (São Paulo, 2008) e “Desarmonia” (São Paulo, 2008), com os quais foi semifinalista do Prémio Portugal Telecom/Brasil, bem como “Cidade do Mais Antigo Nome”, dado à estampa em 2009 em Lisboa e sobre a “Cidade Velha” (primeira capital de Cabo Verde, 12 quilómetros a oeste da Praia).

Em dezembro de 2014 publicou “Coração de Lava”, sobre a ilha cabo-verdiana do Fogo.

José Luís Tavares já recebeu os prémios Cesário Verde (1999), Mário António da Fundação Calouste Gulbenkian (2004), foi também finalista do Prémio Correntes d’Escritas (2005).

JSD // VM – Lusa/Fim
Um ciclista desce a Avenida da Liberdade em Lisboa, 3 de abril de 2015. O novo Código da Estrada, que entrou em vigor a 01 de janeiro de 2014, veio introduzir alterações na circulação rodoviária, tendo os ciclistas ganho novos direitos, ao passarem a ser equiparados aos veículos motorizados. MÁRIO CRUZ/LUSA

Um ciclista desce a Avenida da Liberdade em Lisboa, 3 de abril de 2015. O novo Código da Estrada, que entrou em vigor a 01 de janeiro de 2014, veio introduzir alterações na circulação rodoviária, tendo os ciclistas ganho novos direitos, ao passarem a ser equiparados aos veículos motorizados. MÁRIO CRUZ/LUSA

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