5 March 2021
A língua portuguesa tem um “valor incomensurável” para a afirmação de Portugal na lusofonia e no mundo, disse hoje Marcelo Rebelo de Sousa, na apresentação do livro Potencial Económico da Língua Portuguesa, que decorreu em Lisboa.

Língua Portuguesa tem “valor incomensurável”

“Não se trata de uma obra académica. É o começo de um processo. É preciso ouvir o que o Brasil pensa deste tema e também é preciso uma obra semelhante nos países irmãos da lusofonia”, referiu Rebelo de Sousa, em jeito de desafio perante uma assembleia que encheu o salão nobre do palacete Seixas, a sede do Camões – Instituto da cooperação e da Língua.

O trabalho de investigação, efetuado por uma equipa liderada por Luís Reto, reitor do ISCTE-IUL, e constituída pelos investigadores José Paulo Esperança, Mohamed Azzim Gulamhussen, Fernando Luís Machado e António Firmino da Costa, é composto por duas partes.

Na primeira parte são apresentados estudos ligados às relações entre variáveis económicas/sociais e a língua e na segunda parte são analisados os resultados de um inquérito sobre “usos e perceção dos utilizadores da língua”, realizado junto de cerca de 2.500 estudantes de português nas universidades e escolas do mundo em que existem centros de língua e leitorados apoiados pelo instituto Camões.

“É preciso olhar para o setor privado e social, que devem dar a sua perspetiva”, insistiu Marcelo Rebelo de Sousa, acompanhado na mesa por Luís Reto e pela presidente do Camões, Ana Paula Laborinho, perante uma plateia que incluiu embaixadores e representantes de países lusófonos, incluindo o secretário-executivo da CPLP, Murade Murargy.

“Levar o livro às escolas, ao básico e secundário, para que se perceba o que está a ser tratado” ou “sensibilizar os decisores políticos e económicos” foram outras sugestões do académico e comentador político, que também fez um apelo “aos órgãos de comunicação social para que não se esqueçam do livro”.

Converter a “sensibilidade do livro em ação” para que este tema “possa ser cimeiro em 2013” foi o último repto lançado por Marcelo Rebelo de Sousa, que mereceu a anuência da generalidade dos presentes.

Luís Reto disse à Lusa à margem da sessão que foram analisadas “quatro variáveis, o investimento direto estrangeiro, turismo, fluxos migratórios e comércio externo, e esta vantagem comparativa no caso português é notória particularmente no investimento estrangeiro, e começa a ser ainda no turismo e na emigração”.

“Quanto mais a economia do Brasil, Angola ou Moçambique se desenvolverem, na nossa opinião maior será a potencialidade de pertencer a esta comunidade”, sublinhou.

Para o reitor do ISCTE-IUL, “pertencer a uma comunidade em crescendo económico e demográfico, com 250 milhões de falantes, significa um potencial económico grande, uma vantagem comparativa face a outro país que não pertença a uma comunidade linguística com esta dimensão”.

O coordenador de Potencial Económico da Língua Portuguesa destacou ainda “duas asserções” na área económica, que considera essenciais.

“Quando se muda de língua e tem de se comerciar com outro país a língua funciona como uma barreira à entrada, como se fosse mais um imposto. Mas se estivermos na mesma comunidade linguística, o que designamos por proximidade linguística e cultural, está barreira é fraca ou desaparece. Assim, há mais facilidade em negociar na mesma comunidade”.

 

PCR(CFF/FV) // ARA.

Lusa/Fim

Foto: LUSA – Marcelo Rebelo de Sousa, durante o lançamento do livro de Cristina Carvalho, “Rómulo de Carvalho/António Gedeão – Príncipe Perfeito”, em Lisboa, 24 de outubro de 2012. JOÃO RELVAS/LUSA

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