8 March 2021
No período de um só mês, dois importantes encontros em torno da língua portuguesa tiveram lugar em Lisboa, um na Academia das Ciências e o outro na Universidade Lusíada, nos dias 31 de Janeiro e 27 e 28 de Fevereiro, respectivamente, ambos com a intervenção determinante do Observatório da Língua Portuguesa (OLP).

Língua Portuguesa – presença em dois importantes eventos em Lisboa

“Dado que os processos de globalização actuais ultrapassam em muito a vertente económica directa, possibilitando e acelerando as trocas a todos os níveis, a língua pode ser hoje, para Portugal, um activo valioso no contexto internacional a nível político, cultural e económico.”

 

“O Valor da Língua Portuguesa: Uma perspectiva económica e comparativa” (IIM e OLP, 2012)

 

A presença de Macau foi assegurada pelo Instituto Internacional de Macau (IIM), como instituição da sociedade civil que representa o OLP na RAEM e junto de organismos académicos e culturais de países e territórios do Extremo Oriente.

 

Na Academia das Ciências

“A Sociedade Civil no Plano de Acção de Brasília” foi o título da conferência coordenada pelo OLP e conjuntamente organizada com a APEDI – Associação dos Professores para a Educação Intercultural, a Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, a Priberam, empresa especializada na concepção e desenvolvimento de software e conteúdos digitais no âmbito da língua portuguesa, e a Academia das Ciências de Lisboa, com o envolvimento de mais de 200 participantes inscritos e muitos convidados. As sessões, versando os temas “O ensino da língua portuguesa no mundo” (Carla Oliveira e Ana Martins), “A língua portuguesa na comunicação social” (José Pacheco Pereira e Afonso Camões), “A língua portuguesa nas organizações internacionais” (Francisco Seixas da Costa e Domingos Simões Pereira) e “A sociedade civil nas estratégias de afirmação da língua portuguesa” (Eduardo Marçal Grilo, João Guerreiro, Luís Carlos Patraquim, Pedro Krupenski e o autor deste artigo), realizaram-se todas no magnífico salão principal da Academia, que tem sede no antigo Convento de Jesus, com acompanhamento permanente de vários órgãos de comunicação social, com especial destaque para a Antena 1, que fez numerosas entrevistas e extensos relatos em directo.

Na sessão de abertura, usaram da palavra os presidentes do OLP, Embaixador Eugénio Anacoreta Correia, e da Academia das Ciências de Lisboa, Prof. Luís Aires-Barros, cabendo a João Bigotte Chorão fazer “Uma digressão sobre a língua portuguesa”, dando o mote aos trabalhos da conferência, cujas conclusões foram lidas na sessão de encerramento.

O Presidente da República Portuguesa presidiu à Comissão de Honra, a qual integrou altas entidades do Estado, embaixadores de países de língua portuguesa e representantes permanentes junto da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Colaboraram na organização a AULP – Associação das Universidades de Língua Portuguesa, o Centro Português de Fundações e a Plataforma Portuguesa de ONG e apoiaram o evento o Instituto Nacional de Estatística de Portugal, a Sapo.pt e o IIM.

Pretendeu-se, com esta conferência, sensibilizar a sociedade civil para o papel que lhe pertence na promoção, difusão e projecção da língua portuguesa e mobilizar as suas instituições para um contributo positivo na execução das medidas contidas no Plano de Acção de Brasília, aprovado em Conselho de Ministros da CPLP, reunido em Brasília em Março de 2010, e para a sua presença na “II Conferência Internacional sobre a Língua Portuguesa no Sistema Mundial”, a realizar em Lisboa ainda no corrente ano, em data a determinar. O Plano de Acção de Brasília definiu estratégias de implementação da língua portuguesa em organizações internacionais, bem como estratégias de promoção do ensino da língua portuguesa e formas de difusão pública da língua portuguesa, com a participação da sociedade civil.

Os objectivos então definidos – “fomentar o apoio da sociedade civil à execução de acções previstas, inclusive pelo estabelecimento de parcerias entre instituições públicas e privadas”, “estabelecer formas de cooperação entre instituições públicas e privadas para a elaboração e difusão pública de programas educativos e profissionalizantes em língua portuguesa” e “contemplar, em projectos de cooperação técnica, parcerias com instituições da sociedade civil dos países da Comunidade para a difusão e valorização da língua portuguesa” – estiveram bem presentes nas comunicações apresentadas e nos debates subsequentes.

No mesmo dia, a Academia das Ciências organizou uma das suas habituais tertúlias à hora do almoço, com membros e convidados, em que foi orador o presidente do OLP, cuja comunicação sobre “As perspectivas da língua portuguesa” estimulou outras intervenções, como as do presidente do Movimento Internacional Lusófono, Renato Epifânio, do académico Artur Anselmo e do autor deste artigo, sobre a crescente importância atribuída pela China à língua portuguesa.

 

Na Universidade Lusíada

A Universidade Lusíada de Lisboa e o OLP co-organizaram o I Congresso Internacional de Língua Portuguesa, levado a efeito ao longo de dois dias de comunicações e debates, protagonizados por um qualificado elenco de personalidades ligadas aos temas tratados, os quais foram distribuídos por cinco painéis: “Situação actual e perspectivas futuras da língua portuguesa” (Murade Isaac Murargy, Secretário-Executivo da CPLP, Luís Amado, ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros e Pedro Pinto Coelho, representante do Brasil junto da CPLP), “Desafios e políticas” (Guilherme d’Oliveira Martins, presidente do Tribunal de Contas e presidente da Assembleia Geral do OLP, Pedro Lourtie, ex-Secretário de Estado do Ensino Superior, e José Paulo Esperança, professor do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa), “Implementação e desenvolvimento da língua portuguesa nas organizações internacionais” (Maria Eduarda Boal, membro do Conselho de Administração do OLP, Francisco Seixas da Costa, director do Centro Norte-Sul do Conselho da Europa e ex-Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, Maria Isabel Tavares, docente da Universidade Católica Portuguesa, António Monteiro, ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades Portuguesas, Marcello Duarte Mathias, Embaixador e coordenador do Conselho Consultivo do OLP, e Luís Cristina de Barros, Embaixador), “O ensino da língua portuguesa no mundo” (Manuel Brito-Semedo, vice-reitor da Universidade de Cabo Verde e ex-director executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, Ana Paula Laborinho, presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, Maria Fernanda Pontífice, reitora da Universidade Lusíada de São Tomé e Príncipe, António Avelar, coordenador dos cursos de português para estrangeiros da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e Nélia Alexandre, docente de Linguística da mesma Faculdade) e “Contribuições da sociedade civil na promoção internacional da língua portuguesa” (Carlos Motta, director da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Lusíada de Lisboa, o autor deste artigo, na qualidade de presidente do IIM, e Cecília Anacoreta Correia, docente da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

As sessões de abertura e de encerramento foram presididas, respectivamente, por Diamantino Durão, reitor da Universidade Lusíada e ex-Ministro da Educação, e por António Martins da Cruz, chanceler da Universidade Lusíada, e tiveram intervenções de Eugénio Anacoreta Correia e de Carlos Motta, expressando os objectivos do Congresso, identificando as conclusões e reafirmando propósitos de colaboração em novas iniciativas em torno da difusão e projecção da língua portuguesa, tarefa que incumbe aos Estados e também às instituições de ensino superior, organizações internacionais e organismos da sociedade civil. Este Congresso teve também o alto patrocínio do Presidente da República Portuguesa e incluiu na sua Comissão de Honra outras altas entidades do Estado Português, bem como autoridades académicas e distintas personalidades do mundo da cultura.

Na minha comunicação, salientei a imprescindibilidade do envolvimento da sociedade civil na definição e execução de políticas públicas em todos os domínios e referi a relevante acção do OLP como exemplo da contribuição positiva da sociedade civil, sendo um organismo associativo suportado no seu funcionamento pelos seus próprios membros e pelas parcerias que soube estabelecer com outras entidades, entre as quais o IIM, com o qual promoveu actividades conjuntas e duas edições.

Vale a pena registar a cooperação de entidades e personalidades muito diversificadas na organização e viabilização de iniciativas de tanta relevância, que contam cada vez menos com apoios governamentais e precisam de parcerias úteis e da partilha de recursos para alcançar os resultados almejados, sendo também importante a colaboração e a presença de Macau, que o IIM vem assegurando em múltiplas actividades realizadas em Portugal e noutros países.

 

 

* Presidente do Instituto Internacional de Macau.

Escreve neste espaço às 2.ªs feiras

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