Os estudantes da República Cooperativa da Guiana agora aprenderão a falar o português no Ensino Secundário, pois o Ministério da Educação no dia 17 de outubro anunciou oficialmente a inclusão do idioma no currículo, com cinco liceus a implementarem a iniciativa: Queen’s College, Bishops’ High School, Saint Stanislaus College, Saint Roses High School e Saint Joseph High School.

Durante o anúncio, em Georgetown – capital do único país sul-americano de língua oficial inglesa –, a ministra da EducaçãoPriya Manickchand disse que, desde que o Brasil e a Guiana desfrutam de relações mais estreitas, as pessoas que aprendem o português irão para mais além dessas relações, e isso, por sua vez, beneficia a ambos os países. “Visto que a Língua nunca vai impedir a Guiana de apreciar as relações com todos, certamente a familiaridade com o povo do Brasil vai ajudar a fortalecer a nossa amizade.”

Ela observou também que os países serão capazes de compartilhar experiências para se desenvolverem ainda mais, salientando que o Brasil é a sexta maior economia do mundo.

O programa inicialmente começaria com seis liceus, conforme anunciara o mesmo ministério em maio deste ano, mas o número foi reduzido para cinco escolas pelo facto de não haver professores suficientes para ensinar o idioma. O ministério terá de introduzir a Língua no currículo da Faculdade de Educação Cyril Potter.

–– O Português no Exame CXC ––
A ministra revelou que a República da Guiana está em negociações preliminares com o Conselho de Exames do Caribe (CXC) para incluir a avaliação da Língua Portuguesa como parte do exame. Ela expressou esperança de que isso possa ocorrer dentro dos próximos dois ou três anos. “Não trate como mais um curso; trate, sim, como o do primeiro conjunto de alunos do Caribe que escreverá em Português no CXC e obterá distinções”.

Ela acrescentou que o secretário do CXC já manifestou a sua vontade para analisar como a Língua Portuguesa pode ser incluída no currículo do CXC.

A diretora do Departamento de Línguas do Queen’s College, Candida Williams, que ajudou na elaboração do currículo de Língua Portuguesa, reconheceu que os alunos poderiam achar que já estão com dificuldades com o espanhol e o francês e questionar porque têm de aprender o português.

Na tentativa de convencer os alunos do merecimento do programa, ela salientou que os alunos terão cada vez mais oportunidades de interação no país com as pessoas que falam o português.

“Há um grande fluxo de brasileiros para este país; eles estão abrindo muito negócios aqui e muitos de vocês já têm contato com eles. Alguns de vocês já se reúnem com eles, e com isso você quer ser capaz de se comunicar com eles, mesmo que seja apenas com o básico.” Ela também disse aos alunos que a Língua é bem semelhante ao espanhol.

Ela revelou que montar o currículo não foi uma tarefa fácil, lembrando que o maior problema foi a aquisição de materiais. “Eu procurei por eles até na América do Norte, no Caribe e na América do Sul, uma vez que eu estava no Chile à procura de materiais. Fomos capazes de buscar um livro de estudos junto com alguns outros que recebemos da embaixada brasileira.”

–– De gigantes ao norte ao gigante ao sul ––
A ministra declarou ainda no anúncio que o Caribe terá de aprender a falar português, caso queira aproveitar as oportunidades apresentadas por serem vizinhos, via Guiana, da sexta maior economia do mundo.

“Por causa dos nossos antecedentes históricos, os olhos e ouvidos do Caribe foram sempre apontados para o norte, em direção ao Reino Unido, aos Estados Unidos e ao Canadá. Eles falavam inglês, e isso tornou-se mais fácil para nós. O francês era ensinado em nossas escolas de elite, pois era a língua ‘culta’ para o pensamento eurocêntrico de nossos governantes coloniais.”

“Devemos aos nossos primeiros líderes a introdução do espanhol em nosso currículo logo após a independência. Isso demonstrou que eles entenderam e aceitaram a necessidade de nossos países de se comunicar com os países de língua espanhola do Caribe, como Cuba”, explicou a ministra da Educação.

“Mas o Brasil com a sua população que fala português foi ignorado – isto até agora. Este evento bem despretensioso que introduz o português nas nossas escolas é realmente de grande alcance consequência e significado, uma vez que sinaliza claramente que finalmente reconhecemos a importância estratégica do nosso vizinho gigante bem ao sul de nós.”

–– Posição bastante feliz entre o Brasil e o Caribe ––
Na última década, o Brasil projetou-se com grande desenvolvimento econômico como um ator dos negócios em escala mundial, tornando-se não apenas exportador de matérias-primas como também um país muito forte em serviços e finanças. O Brasil tem muito desejado uma saída de exportações para o Atlântico Norte e, para o governo da Guiana, o país encontra-se em uma posição bastante feliz por ser vizinho ao norte do Brasil.

A ponte do rio Tacutu – ligando Lethem, na Guiana, a Bonfim, no Estado brasileiro de Roraima – já está em operação desde 2009. E os planos para a estrada de Lethem a Linden (com prolongamento para um porto de grande calado na foz do rio Berbice) estão nas mesas dos presidentes Dilma Rousseff, do Brasil, e Donald Ramotar, da Guiana.

Assim, é apenas uma questão de tempo para que as economias da Guiana e do Caribe estejam muito mais integradas com a do Brasil. E daí em diante, a comunicação será crucial para o aprofundamento das relações – e aqui reside a importância do trabalho da ministra Priya Manickchand com a Língua Portuguesa.  :::

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–– Extraído do jornal Guyana Times (Georgetown, Guiana) ––

 

Fonte: Ventos da Lusofonia