A professora da Universidade de Macau participou num debate sobre “Políticas da Lusofonia, Políticas da Língua”, integrado numa conferência de dois dias em torno da Lusofonia, na Universidade de São José.

“[Há um] paradoxo entre a dimensão construtora da língua portuguesa em África e a sua condição propulsora de exclusão”, afirmou.

Esta situação verifica-se pelo facto de o português “continuar a ter um funcionamento dominador sobre as outras línguas, sobre o manto diáfano da construção da nação e de uma pacificação linguística, que mais não tem sido que o prolongamento da sua função colonial”.

Inocência Mata sublinhou que, apesar de o português ser “uma língua marcada em termos étnicos, em termos sociais, em termos de classe, em termos culturais”, é, nos países africanos, “uma das línguas de identidade nacional”.

“É-o na medida em que é língua materna de muitos cidadãos desses países, mesmo que sejam uma minoria, como é o caso evidente da Guiné-Bissau ou de Moçambique”, afirmou.

Neste sentido, a académica alertou para “o lugar diferente do português” nos países em questão, exemplificando como o idioma assume em Angola o papel de “língua afetiva”, em Cabo Verde de “língua solene”, na Guiné-Bissau de “língua de passaporte”, em Moçambique de “língua política” e em São Tomé e Príncipe de “língua irmã”.

“Estamos perante cinco situações diferentes, com especificidades que raramente são consideradas em reflexões sobre ‘o português em África’. Essa diferença deverá ditar políticas de língua diferentes”, sugeriu.

ISG // VM – Lusa/Fim

Fotos:

– Inocência Mata (http://www.uerj.br/publicacoes/uerj_emdia/572/)

– Ponte Governador Nobre de Carvalho, em Macau, uma obra do engenheiro português Edgar Cardoso, comemora este ano 40 anos da sua inauguração, China, 13 de outubro de 2014. CARMO CORREIA/LUSA

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