Os timorenses lutaram durante 24 anos (1975-1999) contra a violenta ocupação indonésia e o esforço educativo para os indonesiar. Esta pesquisa, um estudo de caso sobre o Externato de São José (ESJ) para compreender o propósito de manter o ensino em língua portuguesa (LP), quando esta foi proibida e perseguida por atrasar a integração efetiva na Indonésia, segue uma metodologia qualitativa, sob o paradigma interpretativo. Para compreender com maior profundidade os objetivos da escola, decidiu-se ouvir os seus principais agentes e testemunhas privilegiados, realizando uma análise de conteúdo de dez entrevistas semiestruturadas com antigos estudantes, professores e membros da sociedade. A pesquisa reforça a ideia de que a identidade é sedutora, de que ela depende da adesão das pessoas e projeta a sua pertença a algo maior, a um povo com uma cultura singular, cujo idioma, em articulação com outros aspetos culturais, tem um papel decisivo. Os resultados mostram 124 ocorrências que evidenciam a intencionalidade da escola na promoção da LP como marca distintiva da identidade timorense, sendo destacada pelos entrevistados como essência dessa identidade, como rejeição da língua indonésia (LI) e da integração cultural ou como repositório da cultura timorense, de influência portuguesa ou latina. A valorização identitária consignada à LP, atribuída inclusive por pessoas com posições opostas sobre o estatuto político do Timor-Leste (pró-independência ou pró-integração na Indonésia), uniu a geração anterior educada em português e parte da juventude na luta pela independência, contrariando eventuais ambiguidades na sociedade timorense quanto ao estatuto da LP como língua oficial.

Escola; Língua portuguesa; Identidade cultural timorense; Identidade nacional; Timor-Leste

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Ângelo Eduardo Ferreira, bolseiro de Pós Doutoramento / Postdoctoral Fellow. Projeto Secret Garden – Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território. Universidade de Aveiro

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