4 March 2021
“O papel do Português e de Portugal nestas eleições é, sendo generosos, marginal (como é o papel da Galiza na política nacional portuguesa)”, afirmou à Lusa, por escrito, o coordenador do projeto de Cartografia Linguística da Galiza e Portugal, Xosé Afonso Pérez Álvarez.

Língua portuguesa com importância marginal nas eleições galegas

A língua portuguesa tem uma relevância marginal, ou mesmo nula, no contexto das eleições galegas agendadas para domingo, disseram hoje à Lusa vários investigadores questionados sobre a interação linguística entre Portugal e Galiza.

Por seu lado, o investigador responsável pelo projeto do Atlas Linguístico-Etnográfico de Portugal e da Galiza, João Saramago, declarou de forma clara que o português não tem “nenhuma” importância no contexto eleitoral, acrescentando que “o problema da língua galega é que a Galiza, politicamente falando, nunca conseguiu atingir o estatuto de nação independente”.

Para o diretor do mestrado de cooperação da Universidade de Vigo, na Galiza, Luiz Dominguez, “o galego foi normalizado como língua há pouco tempo”, uma língua oral cuja escrita “não estava completamente estabelecida”.

“Um grupo apostava por uma aproximação ao castelhano e outro grupo apostava na aproximação ao português. Essa linha é um setor muito minoritário, mas existe ainda quem acredita que a experiência do galego passa por uma aproximação sintática, léxica e morfológica ao português”, explicou Luiz Dominguez.

Para Xosé Afonso Pérez Alvarez, investigador do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa, a questão da língua na Galiza é “complicada” e pode “levar a conclusões erróneas” por parte de quem está de fora.

“O galego é, no âmbito político, uma língua litúrgica, como podia ser o latim na missa antes do Concílio Vaticano II. A grande maioria dos políticos assume que na Galiza têm de falar em público ou no Parlamento em galego (mesmo se quando desligam as câmaras, muitos deles falam em castelhano) e isso faz com que o galego tenha uma visibilidade externa nesse campo que depois não se traduz em vitalidade real”, explicou o académico.

Por esses motivos, esclareceu Pérez Alvarez, “o castelhano está menos presente porque existe uma convenção social ampla de que neste âmbito específico, o da política galega, o galego tem de ser língua preferente, mas isso não implica uma desvalorização geral do castelhano”.

João Saramago referiu que “depois da era franquista, verificou-se uma tendência generalizada para promover internamente a língua galega, de modo a devolver-lhe a sua verdadeira identidade”, tendo vivido na “clandestinidade” antes dessa época.

 

TDI // MSP

Lusa/fim

Foto: LUSA – Manifestação realizada em Santiago de Compostela, na Galiza, Espanha, em defesa da língua galega, 18 de maio de 2008. JOAO ABREU MIRANDA/LUSA

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