Leiria, 17 nov (Lusa) – Há dez anos que a Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS) do Instituto Politécnico de Leiria (IPL) aposta na aprendizagem do mandarim, tendo já formado cerca de 130 estudantes portugueses.

A licenciatura em Tradução e Interpretação Português-Chinês/Chinês-Português foi lançada há dez anos, com uma turma de seis alunos e em parceria com o Instituto Politécnico de Macau (IPM), referiu o coordenador do departamento de Línguas e Literaturas da ESECS, Luís Barbeiro.

Atualmente, o IPL conta tem como parceiros instituições de ensino superior de Macau, Pequim, Hainan, Jiangxi, e Sichuan. “Foi todo um mundo novo que se abriu. Numa altura em que a atividade tradicional da escola, que era no domínio da educação, entrou em regressão, esta acabou por ser uma via em que se passou a apostar e tornou-se numa das marcas fortes da formação da ESECS, até porque a ida dos alunos para Macau e Pequim é parte integrante do currículo”, explicou Luís Barbeiro.

No ano letivo 2016/17, a ESECS tem cerca de 130 alunos chineses a aprender português, provenientes das cinco universidades parceiras, bem como 102 estudantes portugueses a aprender chinês.

iplA estrutura da licenciatura de quatro anos prevê que no 2.º e no 3.º ano, os alunos portugueses tenham aulas em Pequim e Macau, enquanto os alunos estrangeiros vão para o Politécnico de Leiria. No 1º. e no 2º. ano, o currículo incide na aprendizagem da língua. Já nos dois últimos anos os alunos aprendem técnicas de tradução e interpretação. O último semestre é constituído pelo estágio, introduzido em 2012. “Quisemos proporcionar a ligação ao mercado de trabalho e às saídas profissionais”, acrescentou o docente.

Esta licenciatura foi uma consequência natural das ligações que existiam entre o IPL e o IPM e que já permitia o intercâmbio de alguns estudantes de forma isolada. Apesar de inicialmente a procura ser pouca, “manteve-se o curso”. Hoje, as vagas disponíveis são sempre preenchidas.

Para os chineses, a língua portuguesa abre fronteiras no aspeto económico. “Tal como cá existe o interesse pela língua chinesa, lá também existe interesse pela aprendizagem da língua portuguesa na abertura para novos mercados de Língua Oficial Portuguesa, como os países africanos e o Brasil”, disse Luís Barbeiro.

Mantendo uma ligação ao tecido empresarial, a coordenadora interina da licenciatura, Inês Conde, referiu que a ESECS organiza cursos livres ou intensivos de mandarim. Esta docente aponta como várias saídas profissionais o ensino de português ou de mandarim na China e em Portugal, trabalhos na área da tradução e interpretação, media e administração pública.

A ex-aluna Anaïs Barroso é funcionária da Associação Jovens Empresários Portugal-China e considera que o curso “permite trabalhar em qualquer área, desde o ramo empresarial à tradução, desde que envolva qualquer país de língua portuguesa e a China”.

“Brasil, Angola, Moçambique e, em menor escala, Portugal são países em que a China está a investir bastante, contribuindo para o seu desenvolvimento. Sendo o português a língua oficial desses países, abre portas a quem fala português e chinês”, sublinhou.

Estudante no 2.º ano desta licenciatura, Sofia Xavier cumpriu um ano em Estudos Asiáticos, em Lisboa, mas a licenciatura em Leiria conquistou-a, sobretudo pela possibilidade de realizar dois anos em Pequim e Macau.

“A forma como o curso está organizado potencia a aprendizagem da língua numa vertente de tradução e interpretação, utilizando o mandarim e a língua portuguesa como ferramentas de trabalho nas mais diversas situações. Tratando-se de duas línguas muito fortes no mundo económico/empresarial atual, as oportunidades de trabalho são bastantes”.

Já Lin Yu Qing, ex-estudante a trabalhar na área dos media, afirmou que este curso lhe abriu as portas “de outras culturas, das oportunidades de conhecer várias pessoas das diferentes culturas e das empresas”.

“Saber o português é um privilégio. Primeiro, é mais fácil para me integrar na sociedade ou comunidade portuguesa e através desta integração conheço mais culturas da Europa. Por outro lado, tenho mais facilidade em emigrar ou estudar fora do país”.

EYC // SSS – Lusa/Fim
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