8 March 2021
Agostinho Sindolo Manuel, moçambicano de nacionalidade, é um dos escultores e artistas plásticos que participou na segunda mostra de jovens criadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que decorreu entre os dias 10 e 12 de Junho, na Feira Internacional de Luanda (FIL).

Juventude lusófona aposta na criatividade

O artista, que está dentro do mundo das artes há quase 10 anos, considerou o evento uma oportunidade ímpar de troca de experiências entre os jovens dos países lusófonos.

“Nesta edição, trouxe a palha, pau-preto e o thuane, que é uma escultura que tem grande influência no povo do Norte de Moçambique, como o Deus que proporciona as chuvas para os agricultores”, frisou o jovem escultor.

Muitas técnicas novas, segundo afirmou, às quais junta uma certa alegria sempre que “participo num evento de mostra de jovens criadores da CPLP”.

Os jovens artistas dos países lusófonos, referiu, têm muita experiência em artes plásticas, e “é bom ver a criatividade desenvolvida por nós”.

Justo Santana, natural da província do Huambo, disse que este evento ajuda a valorizar mais os seus trabalhos. “Caloiro” no mundo das artes plásticas, adiantou que actividade de artista requer muita criatividade e imaginação, havendo por isso a “necessidade de troca de experiências constante e muita leitura de livros técnicos sobre as artes”.

“Nesse aspecto, é sempre bom ver como artistas mais experientes desenvolvem as suas técnicas de trabalho”, salientou.

Por outro lado, reconheceu que existem, pelo menos na cidade do Huambo, dificuldades na aquisição de material, o que não acontece “com muitos dos nossos colegas membros da CPLP.

Não é fácil pintar uma tela e depois as pessoas não darem o valor merecido a um trabalho feito com arte. A arte é para pessoas que realmente apreciam e gosta de bons quadros”, acrescentou.

Angola participou com 80 dos 180 criadores e empreendedores presentes na mostra, que decorreu sob o lema “Juventude a Força Inovadora da CPLP”.

Além de artes plásticas, a mostra abrangeu ainda a fotografia, banda desenhada, joalharia, moda, olaria, invenção tecnológica, literatura, espectáculos musicais, dança e teatro.

Literatura

Em todas os stands de literatura se registou uma moldura humana significativa ao longo dos três dias em que decorreu a mostra. Jovens estudantes, como constatou a reportagem do Jornal de Angola, acorreram para se inteirarem das novas e antigas obras dos escritores de língua portuguesa. Muitos adquiriram livros. “A venda foi boa. Muitos estudantes, e não só, compraram obras de escritores são-tomenses e de outros países”, disse um dos membros da comitiva de São Tomé e Príncipe.

O estudante universitário Francisco Gomes referiu que “valeu a pena. Infelizmente foi somente de três dias. Devia ser mais, porque há de tudo em termos de cultura”.

A mesma opinião foi corroborada por outros estudantes, tanto do ensino universitário como médio, que estiveram presentes na FIL.

 

Presença

A presença de muitos jovens permitiu avaliar o quanto a juventude dos países membros está empenhada na criação e inovação dos seus talentos. O evento demonstrou, ainda, que existe vontade política dos Estados-Membros da CPLP em apoiar a juventude, que tem uma força vital para o desenvolvimento intelectual, e não só.

Na abertura da mostra, o ministro angolano da Juventude e Desportos, Gonçalves Muandumba, disse que “a II Mostra de Jovens Criadores da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP)  é um espaço temático que pode ajudar na resolução de muitos problemas que os respectivos Estados enfrentam”.Acrescentou que “os jovens criadores da CPLP têm uma capacidade empreendedora muito forte, pelo que devidamente apoiados são peças fundamentais para o desenvolvimento, em termos de artes, de qualquer país”.

O encontro, concluiu, é uma oportunidade para a discussão de políticas sectoriais, para que haja uma melhor visão e resolução dos problemas que afectam a juventude, como o desemprego, habitação, formação, entre muitos outros.

 

FONTE: Jornal de Angola

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