1 March 2021
O primeiro-ministro japonês deverá aproveitar a visita a Moçambique, que se inicia no sábado e é a primeira de um líder japonês em quase oito anos, para negociar fornecimentos de gás natural, noticia hoje a Bloomberg.

Japão ‘de olho’ nas reservas naturais

O primeiro-ministro japonês deverá aproveitar a visita a Moçambique, que se inicia no sábado e é a primeira de um líder japonês em quase oito anos, para negociar fornecimentos de gás natural, noticia hoje a Bloomberg.

O Japão, a terceira maior economia do mundo, é o maior importador de gás natural liquefeito, e Shinzo Abe deverá aproveitar a visita que vai fazer a Moçambique para negociar contratos de fornecimento de gás para gerar eletricidade, depois de ter cancelado a utilização de energia nuclear em setembro, no seguimento de inspeções de segurança às centrais motivadas pelo acidente de Fukushima, em março de 2011.

A energia nuclear produzida pelas cerca de 50 centrais representava quase 25% das necessidades de energia do país.

“Desde o acidente de Fukushima, as importações de gás natural para gerar eletricidade subiram imenso, incluino de África”, disse o diretor de pesquisa do Instituto das Economias em Desenvolvimento, que funciona no âmbito da Organização para o Comércio Externo do Japão, em Chiba.

Nas declarações à Bloomberg, Katsumi Hirano acrescentou que “o desenvolvimento de gás natural é um assunto extremamente importante para a segurança e interesse nacionais”.

Segundo a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos, Moçambique deverá ter reservas de gás suficientes para responder à procura global durante dois anos.

O país africano planeia construir quatro unidades de gás natural com uma capacidade total de 20 milhões de toneladas por ano até 2018, o que faria com que fosse o segundo maior exportador a seguir a Ras Laffan, no Qatar, e já há uma empresa japonesa, a Chiyoda, na corrida para a construção desta estrutura, que pode custar até 20 mil milhões de dólares.

Para além do possível fornecimento de gás natural, o Japão vai oferecer “ajuda humanitária” a África durante a visita que efetuará esta semana a países como Moçambique e Etiópia, onde o seu homólogo manifestou desejo de reforçar relações comerciais com o Governo nipónico.

O porta-voz do Governo japonês, Yoshihide Suga, referiu esta semana que, na sua visita, o primeiro-ministro do Japão pretende reforçar “as relações comerciais” com África, além de destacar os esforços de cooperação do Japão em busca da paz internacional.

Segundo Yoshihide Suga, uma das “principais ofertas do primeiro-ministro vai girar em torno da ajuda humanitária, tais como (oferta de) médicos”.

“Com o seu crescimento económico robusto, nos últimos anos, os países africanos estão a expandir a sua presença na comunidade internacional”, considerou o porta-voz do Governo japonês.

Shinzo Abe vai efetuar a primeira visita oficial de três dias a Moçambique, a partir de 11 de janeiro, a convite do Presidente moçambicano, Armando Guebuza, para reforçar os laços de amizade e cooperação.

Além de Moçambique, a visita de Shinzo Abe abrange também a Costa do Marfim e Etiópia, no continente africano, mas o périplo do governante estende-se ao Médio Oriente, nomeadamente a Omã.

Em Moçambique, o dirigente vai testemunhar a assinatura de acordos de cooperação nas áreas de Educação, Energia, Agricultura e da Justiça entre as autoridades moçambicanas e nipónicas, indica uma nota recentemente enviada à Lusa pelo gabinete presidencial.

O governante japonês e o chefe de Estado moçambicano pretendem “avaliar o estágio das relações entre os dois países” e “identificar novos mecanismos para a sua consolidação, aprofundamento e expansão”, refere o mesmo comunicado.

O Governo do Japão tem sido destacado por ser um dos parceiros de cooperação mais ativos em Moçambique, país com um potencial energético, que tem vindo a atrair a atenção também de grandes investidores japoneses do ramo.

Hoje, o primeiro-ministro etíope, Hailemariam Desalegn, disse que pretende aumentar os laços comerciais com Tóquio e defendeu o auxílio na industrialização e expansão das exportações de têxteis e vestuário do país como forma de reduzir a dependência externa.

“Eu estou à espera que se faça a transferência de tecnologia do Japão” para Etiópia, por meio de investimentos, disse o governante etíope em entrevista hoje publicada no influente jornal japonês Nikkei.

Hailemariam Desalegn apontou a abertura de um voo direto ligando os dois países, cujo acordo poderá ser firmado durante a visita de Shinzo Abe a Addis Abeba, na próxima semana, como uma das formas para melhorar o relacionamento entre Etiópia e Japão.

MBA(MMT) // PJA – Lusa/Fim

Foto: Japoneses festejam o Ano Novo no primeiro nascer do sol do ano numa praia na cidade de Isumi, Japão. o1-01-2014. Everett Kennedy/Lusa

 

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