O projeto de investigação chama-se REAP.PT e para aceder a este basta que se tenha acesso à internet. O objectivo é desenvolver ferramentas que podem melhorar o processo de aprendizagem de uma língua.

Neste momento, “a infraestrutura do sistema está concluída”e permite “que o aluno possa não só ler como ‘ouvir’ texto”, explica Nuno Mamede ao Ciência Hoje.
Segundo o investigador, o módulo de perguntas de resposta múltipla, que treinam o uso de vocabulário em contexto foi desenvolvido e complementado com um conjunto de jogos didáticos: jogos que visam treinar o reconhecimento dos sons do Português europeu, uma língua caracterizada pela forte redução de vogais; jogos que treinam o uso de modos verbais ou o emprego de nomes colectivos, ou outras competências gramaticais. Muito recentemente, o sistema passou a contar com um fluxo regular de textos diários, retirados da imprensa on-line, com textos cuja atualidade serve de maior motivação para a leitura, já que são selecionados de acordo com as preferências temáticas do aluno.
“O REAP.PT pode tornar-se num importante instrumento de apoio para os professores que ensinam a língua portuguesa a estrangeiros. Veja-se, por exemplo, o caso dos alunos estrangeiros que frequentam as universidades portuguesas”, diz Nuno Mamede.

Este sistema já está a ser testado há mais de um ano e meio por alunos do curso anual de português para estrangeiros promovido pela Universidade do Algarve e os resultados têm sido “muito positivos”. O investigador salienta ainda que o REAP.PT é “bastante flexível” e tanto pode ser usado durante uma aula, como complemento ao trabalho do professor ou como instrumento de auto-estudo, permitindo ao mesmo tempo que o professor possa avaliar a progressão do aluno.

A construção do sistema REAP envolveu uma multiplicidade de tarefas, desde o desenvolvimento e integração de recursos linguísticos, como por exemplo dicionários, lista académica de palavras, perguntas de escolha múltipla, até ao desenvolvimento e adaptação de ferramentas transversais ao Processamento de Língua Natural, como, por exemplo, classificadores de categorias gramaticais, sintetizadores de fala e reconhecedores de fala.

Imagem do jogo que permite aos alunos estrangeiros aprender as preposições de lugar.

Para Nuno Mamede, as maiores dificuldades que têm surgido ao longo do projeto são a “falta de recursos linguísticos de base e o muito trabalho que se tem realizar no desenvolvimento das tarefas de implementação”.

O mais desafiante, acrescenta, é a “utilização de estratégias inovadoras para um sistema novo, que pretende ensinar uma língua com características bastante diferentes das do Inglês”. Ler o artigo completo

 

Uma demo do jogo que permite aos alunos estrangeiros aprender as preposições de lugar pode ser vista aqui.

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