1 March 2021
Um dos pontos focados pela docente é o dos intercâmbios académicos no espaço lusófono, nomeadamente no Brasil e em Angola, de forma a facilitar a circulação de alunos e professores à semelhança do que foi conseguido com o programa Erasmus na Europa.

Investigadora defende reforço da cooperação cultural e académica no espaço lusófono

A professora e investigadora da Universidade de Évora Maria de Deus Manso defendeu hoje em Macau o reforço da cooperação cultural e académica com os espaços lusófonos, além do incremento das relações económicas.

A docente falou à agência Lusa à margem do colóquio “Relações de Portugal com a Ásia do sueste: 500 anos de história”, que encerra hoje na Universidade de Macau.

“Penso que seria a altura de pensarmos nesse passado em comum, já que hoje a Europa está em crise. Estaria na altura de Portugal virar-se novamente para o Atlântico, novamente para este passado”, disse.

Maria de Deus Manso explicou que a ideia “não é voltar ao passado”, mas sim estabelecer relações que contribuam para a saída da crise e para “incrementar a cooperação económica, política e também a cooperação a nível académico, a nível cultural”.

“Porque, de facto, isto não tem sido feito e tem-se apostado mais numa cooperação económica do que numa cooperação cultural”, lamentou.

Um dos pontos focados pela docente é o dos intercâmbios académicos no espaço lusófono, nomeadamente no Brasil e em Angola, de forma a facilitar a circulação de alunos e professores à semelhança do que foi conseguido com o programa Erasmus na Europa.

“Não temos nada deste género que nos permita circular por este espaço que faz parte da comunidade lusófona, ou de países que não têm tanto a ver, mas que também se interessam pela cultura portuguesa, pela história e até pela língua, e penso que Portugal, ou porque não pode, ou porque não quer, ainda não se apercebeu da importância de ter uma cooperação muito mais intensa”, afirmou.

Maria de Deus Manso observou também a importância de reforçar a cooperação com Macau.

“Embora digam que se fez muito mais pela língua portuguesa desde a saída dos portugueses, eu gostaria de ver muito mais incrementada esta política do ensino do português e deste tipo de colóquios onde se debatessem as questões históricas”, acrescentou.

A investigadora, que se deslocou a Macau para falar sobre o comércio da seda entre o Japão e Macau no século XVI e XVII, referiu também a necessidade da aposta nas relações económicas a Oriente.

“Claro, também não posso esquecer, porque não sou lírica, que se incrementem as relações económicas. Mas eu acho que vem uma coisa atrás da outra: economia e cultura, tudo isto se pode ligar”, sublinhou.

Para Maria de Deus Manso, a cultura e língua “podiam ser melhor aproveitadas” para aprofundar os contactos estabelecidos há séculos.

“Se calhar a China olha para Macau como uma porta aberta para a CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa] e bem – politicamente e economicamente está correto -, mas Portugal tem de ter uma outra ação mais dinâmica deste tipo de implementação, de políticas que lhe permitam uma maior aproximação”, concluiu.

 

FV // MBA

Foto: LUSA

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