7 March 2021
O Observatório da Língua Portuguesa (OLP) firmou hoje com o Instituto Internacional de Macau (IIM) um protocolo ao abrigo do qual lhe confia a "representação" no Oriente.

Instituto Internacional de Macau representa Observatório da Língua Portuguesa

“O protocolo assinado tem um significado especial, uma vez que é a primeira delegação que o OLP cria fora do seu espaço normal de funcionamento em Lisboa e, em Portugal”, afirmou o presidente do IIM, Jorge Rangel, ao indicar que o OLP “vai querer criar delegações em todo o mundo lusófono”.

O protocolo de cooperação assinado hoje em Macau pelo presidente do conselho de administração do OLP, Eugénio Anacoreta Correia, prevê que o IIM seja “uma delegação” do OLP em Macau e Oriente, representando-o “junto de instituições culturais, académicas e outras de natureza intelectual”, explicou Jorge Rangel.

“A melhor forma de uma qualquer instituição se afirmar fora do seu espaço normal é associando-se a outras que existam nos respetivos espaços”, justificou o presidente do IIM, à margem da assinatura do acordo de cooperação assinado, ato inserido no âmbito do encontro do FESTLATINO que se realiza pela primeira vez em Macau.

O IIM promete reforçar a sua atividade, com mais palestras, debates sobre a língua portuguesa e edições, mas espera poder contar com sinergias.

“É preciso lançar pontes entre todas as entidades em Macau porque senão somos demasiado pequenos para termos projeção”, realçou Jorge Rangel, ao defender que o instituto “está em posição” de o fazer, isto é, de congregar esforços.

O IIM tem na calha vários projetos, alguns dos quais no exterior, e a instituição “está em ligação com o Albergue da Santa Casa” para apresentar uma exposição de lanternas chinesas no Palácio da Independência, em Lisboa.

A mostra, que poderá ser itinerante caso haja interesse de outras entidades, ainda não tem data definida: “Estamos a apontar para o Ano Novo Chinês”.

Em Macau pela primeira vez, o presidente do OLconsidera que o território “tem um papel determinante” na zona em que se situa, pois reúne um “passado histórico muito poderoso” e se afigura como um “farol de futuro”.

“Se a China declarou que a Região Administrativa Especial de Macau é uma porta para o mundo lusófono, o contrário também acontece, estas coisas nunca têm apenas um sentido, são biunívocas”, disse Eugénio Anacoreta Correia, ao anotar que, no tocante ao progresso do português no território, “há ainda muito trabalho para fazer”, sinal do “empenho de todos em construir uma obra”.

A mesma visão é partilhada por Humberto França, fundador e coordenador-geral do FESTLATINO, um Movimento Internacional de Culturas, Línguas e Literaturas Neolatinas, que tem como presidente de honra Mário Soares, ex-chefe de Estado português.

“Queremos sugerir que Macau se torne, se assim o entender, num centro de divulgação da língua portuguesa para a Ásia”, afirmou.

O movimento realiza seminários internacionais em vários países e regiões de línguas neolatinas e, anualmente, no Recife, no Brasil, o Congresso para “o intercâmbio de ideias”.

Para o coordenador-geral do FESTLATINO um “efeito, sem dúvida, evidente” da missão do movimento é a sua presença inédita em Macau, tendo até sido endereçado ao Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura o convite para participar do VI Congresso em 2012.

O evento do FESTLATINO decorre até quinta-feira, estando prevista a realização de vários seminários com a língua de Camões no centro do debate.

 

FONTE: RTP

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