Macau, China, 19 mai (Lusa) – Um novo livro que vai ser lançado na sexta-feira em Macau refere o Início do Diário Noticioso (1807) como a primeira publicação noticiosa em língua portuguesa na região, apesar de manter a Abelha da China (1822) como primeiro jornal.

“Abelha da China foi a primeira publicação com formato de jornal (…), mas antes disso, o primeiro título em português foi o Início do Diário Noticioso”, disse à agência Lusa Agnes Lam, autora de “The Begining of The Modern Chinese Press History/Macau Press History 1557-1840”, em língua chinesa.

O livro, lançado no início do mês em Pequim, resulta de uma investigação iniciada em 2005, que vai desde o estabelecimento dos portugueses em Macau até à primeira guerra do ópio.

Fundado por Joaquim Leite, o Início do Diário Noticioso funcionava como um serviço de seleção de notícias de jornais, e continha informações sobre Macau, China e sobre a Igreja, observou a docente da Universidade de Macau.

Além do estudo sobre as publicações em língua portuguesa, a académica investigou as origens do título de primeiro jornal chinês moderno e concluiu que o mesmo pertence a um inglês e não a um alemão.

“Inicialmente pensava-se que o primeiro jornal chinês moderno tinha sido publicado pelo missionário alemão Karl Gutzlaff em Cantão, em 1933. Mas descobri que, seis meses antes nesse mesmo ano, o missionário inglês Robert Morrison lançou em Macau o jornal em língua chinesa Tsŭ-wăn-pien”, disse, afirmando que o título traduzido para inglês significa ‘Miscellaneous’.

A investigadora defende por isso que “a importância de Macau deve ser reconhecida” na história da imprensa.

“Quando falamos da integração entre as culturas chinesa e ocidental focamo-nos bastante no estilo de vida, na arquitetura e nas infraestruturas, mas há mais do que isso: há a inovação e tecnologia”, afirmou.

“Na verdade, a transformação tecnológica ao nível da impressão aconteceu em Macau, e teve um grande impacto na grande China e em Hong Kong”, acrescentou.

Segundo a investigadora, os primeiros jornais em Hong Kong foram publicados pelo filho de Robert Morrison, e o processo foi desenvolvido com a ajuda de portugueses e com maquinaria levada de Macau.

Além disso, a tradição de as gráficas de Hong Kong contratarem tipógrafos que aprenderam as técnicas em Macau manteve-se até aos anos sessenta do século passado: “Tivemos fama até então, apesar de não a termos mantido”, observou.

FV // VM – Lusa/FimMapa_Diocese_Macau_1894
close
Subscreva as nossas informações
Partilhar