O ministro indonésio fez saber que esse passo depende apenas daquilo que forem os procedimentos necessários, admitindo desconhecer todas as possibilidades de participação e, como tal, não descartando um eventual pedido de adesão como membro permanente.

O desejo de a Indonésia vir a ser observador associado foi inicialmente manifestado em 2008, pelo então embaixador da Indonésia em Portugal, Francisco Lopes da Cruz, mas nunca houve uma formalização dessa intenção.

Marty Natalegawa frisou que “será maravilhoso” que a Indonésia passe a ser um observador associado da CPLP durante a presidência de Timor-Leste da CPLP – que teve início a 23 de julho, na cimeira de chefes de Estado e de Governo de Díli, e que durará dois anos – para ajudar a torná-la numa “presidência bem sucedida”.

“Nós não somos proficientes em Português e isso é uma grande lacuna. Mas, ao mesmo tempo, não devemos deixar de nos associarmos e de desenvolvermos parcerias com os nossos amigos dentro da CPLP”, justificou, falando em “relações bilaterais muito fortes e em crescimento”.

O chefe da diplomacia indonésia destacou o passado em comum entre Portugal e a Indonésia, dado que os portugueses foram os primeiros europeus a chegar ao país asiático, em 1512, deixando um vasto património material, cultural e linguístico e sendo também os responsáveis pela introdução do Catolicismo ao arquipélago.

Esse contacto traduziu-se na inclusão de centenas de palavras de origem portuguesa em dialetos regionais e também na língua indonésia, como “bola”, “bendera”, “bolu”, “gereja”, “armada” ou “jendela”.

Na última cimeira da organização lusófona, a Indonésia foi representada pela ministra do Turismo e das Indústrias Criativas, Mari Pangestu, o que, destacou o governante, “reflete o tipo de compromisso que queremos ter com a CPLP”.

A CPLP, criada em 1996, conta com nove membros permanentes – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste – e seis observadores associados – Geórgia, Ilhas Maurícias, Japão, Namíbia, Senegal e Turquia.

Marty Natalegawa salientou que a Indonésia e Timor-Leste têm hoje “relações muito fortes” e, por isso, o país procura envolver o jovem país em fóruns regionais.

Questionado sobre a esperada adesão de Timor-Leste à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), o governante confessou esperar que tal aconteça em breve, mas admitiu que há oposição por parte de um dos dez membros da associação, sem querer revelar qual.

As dúvidas, adiantou o ministro, prendem-se com a situação económica de Timor-Leste a cerca de um ano e meio da esperada criação da comunidade económica das nações do sudeste asiático, que será semelhante ao modelo da União Europeia.

Singapura tem tornado públicas as suas objeções à entrada de Timor-Leste, que tem estatuto de observador na ASEAN desde 2002, na organização regional.

AYN // JMR – Lusa/Fim

Fotos: Indonésias de diferentes idades e até alguns homens rezam e cantam em português, por vezes intercalado com Indonésio, com o auxílio de livros, onde o português aparece escrito na forma mais conveniente para os indonésios, substituindo, por exemplo, “nosso” por “noso”, Flores, Indonésia, 23 de fevereiro de 2014. ANDREIA NOGUEIRA/LUSA

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