25 February 2021
Os primeiros dias de “Iberian Suite: Arts Remix Across Continents", iniciativa de divulgação da cultura de Portugal e de Espanha no Kennedy Center, em Washington.

“Iberian Suite: Arts Remix Across Continents”

Um elétrico de cortiça em tamanho real, autoria do artista plástico Nuno Vasa, foi a grande atração dos primeiros dias de “Iberian Suite: Arts Remix Across Continents”, iniciativa de divulgação da cultura de Portugal e de Espanha no Kennedy Center, em Washington.

Ainda antes da abertura oficial, já os visitantes do centro tiravam fotografias junto à peça, com o titulo “Prazeres 28”, perguntavam quem era o autor da frase inscrita (“The man is the size of his dream”, uma adaptação para inglês de um verso de Fernando Pessoa) e questionavam que cidade tinha inspirado a obra.

Até os funcionários e alguns patronos do centro, como a filantropa Adrienne Arsht, pediram a Nuno Vasa para entrar no elétrico e tirar uma fotografia no lugar do condutor.

O elétrico 28 agora pára em Washington e é a grande atração da mostra ibérica


“Isto é ótimo porque o meu trabalho tem tudo a ver com a relação entre o homem e o objeto”, explicou à Lusa Nuno Vasa. “Durante estas semanas, a última paragem do 28 é no Kennedy Center”.

O artista foi desafiado para esta peça pelo Arte Institute, uma organização baseada em Nova Iorque que colaborou com o centro norte-americano na elaboração do programa do festival.

“Gosto de desafios e este projeto foi sem dúvida um grande desafio”, explicou Vasa, que começou a trabalhar no projeto no verão passado.

O elétrico 28 atravessa Lisboa, entre o Martim Moniz e Campo de Ourique, passando pela Graça, Baixa, Chiado, São Bento, Estrela e Prazeres (Campo de Ourique), destino que dá nome à instalação.

Vasa escolheu trabalhar com cortiça preta e foi isso que o levou até à empresa Sofalca, que cedeu todo o material e funcionários.

“Decidi logo que não queria cor, para ser fiel ao meu trabalho. A peça é toda no mesmo material, na mesma cor, para ganhar força formal e peso”, explica o artista plástico.

Vasa já recebeu o prémio POPs Fundação de Serralves, o prémio Estampa, da Casa de Velásquez em Madrid, e o Prémio D. Fernando II, da Câmara Municipal de Sintra.

Além disso, tem uma marca de design chamada “Outra Coisa”, que reinventa usos para objetos do quotidianos, como um estendal que vira cabide e um piaçaba que é promovido a material de escritório.

O projeto do elétrico enquadra-se, então, nesta linha de trabalho do autor, que logo imaginou um elétrico em tamanho real, com todos os detalhes do original, “mas que tivesse um aspeto quase cénico, que transportasse para um mundo imaginário.”

Começou a desenvolver o trabalho no seu atelier em Lisboa e, no último mês e meio, mudou-se para Abrantes, onde fica a fábrica da Sofalca, e trabalhou com os funcionários da empresa.

“Trabalhei de sol a sol, para terminar tudo em tempo recorde, foi quase como um sonho que era real. Deitava-me à noite e tudo o que continuava a ver era o elétrico”, diz o artista. “No final, acordei e estava em Washington.”

AYS // MAG – Lusa/Fim

Vhils foi a Washington questionar a liberdade


O artista plástico Alexandre Farto, conhecido como Vhils, tem patente até dia 24 de março, no Kennedy Center, em Washington, uma instalação que tem por objetivo levantar questões sobre liberdade.

“Há uma multiplicidade de ideias sobre liberdade, mas a liberdade, para ser real, tem de ser aceite por todos. Foi esta reflexão que conduziu este trabalho”, explicou Vhils à agência Lusa.

Quem entra no centro cultural da capital norte-americana, pelo Hall of Nations, decorado com dezenas de bandeiras de todo o mundo, começa por ver centenas de folhas de papel brancas suspensas do teto a diferentes alturas.

A partir de um único ponto, assinalado com a impressão de dois pés, é possível ver todas essas folhas alinhadas para formar a palavra “freedom”, liberdade em inglês.

Um passo para os lados e a palavra começa a desfazer-se; um passo para trás e a inscrição desaparece quase de imediato; um passo em frente e é como se a palavra implodisse, com as folhas a projetarem-se em todas as direções.

“Queria mostrar que a liberdade é algo que depende do indivíduo, da sua situação e da sua cultura. É por isso que cada pessoa pode escolher ver a instalação à sua maneira”, explicou Vhils à agência Lusa.

O artista sentiu-se inspirado pelo local, para criar esta peça: um centro cultural, nos Estados Unidos, batizado em nome do presidente John F. Kennedy, numa entrada onde estão bandeiras de todos os países que têm relações diplomáticas com os Estados Unidos.

“Estamos nos Estados Unidos, o país que mais usa o argumento da luta pela liberdade, mas não vim aqui para julgar, vim levantar questões. É também uma peça que tem muito a ver com o momento que atravessamos, com o ataque ao Charlie Hebdo e todas as notícias que dão conta de um estado de vigilância”, explicou o artista.

O trabalho faz parte de “Iberian Suite: Arts Remix Across Continents”, iniciativa de divulgação da cultura de Portugal e de Espanha, que conta com a participação de artistas da lusofonia e da América Latina e que acontece até 24 de março, na capital federal norte-americana.

Este ano, Vhils surgiu nas listas ‘30 under 30’, da revista norte-americana Forbes, que destaca jovens de sucesso, a nível mundial, com menos de 30 anos.

O artista, que já fez murais em mais de 50 cidades de todo o mundo, teve uma exposição a solo, chamada “Dissecação/Dissection”, patente em Lisboa, no Museu da Eletricidade, que atraiu mais de 65 mil visitantes em três meses de 2014.

AYS // MAG – Lusa/Fim

Fotos LUSA:

– O rei espanhol Juan Carlos (C), o secretário de estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier (L), e a presidente do Kennedy Center, Deborah Ruter (R), na abertura ‘Iberian Suite: Global Arts Remix’ em Washington, 4 de março de 2015. EFE/Oliver Contreras POOL

– O artista Nuno Vaza. Washington. 04 de março de 2015. ALEXANDRE SOARES / LUSA

O artista plástico Alexandre Farto. Washington. 04 de março de 2015.ALEXANDRE SOARES / LUSA

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