Portugal Digital, com Agência Brasil
O historiador baiano João José Reis é o vencedor de 2017 do Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras (ABL), pelo conjunto da obra.

O anúncio foi feito quinta-feira (29) pelo presidente da Academia, Domício Proença Filho. A entrega do prêmio será em solenidade no salão nobre do Petit Trianon, a sede da academia, no dia 20 de julho, data em que a instituição estará comemorando seus 120 anos de fundação.

Referência mundial para o estudo da história e da escravidão no século 19 no Brasil, João José Reis, de 65 anos, tem diversos livros publicados, dentre eles A morte é uma festa, que lhe rendeu o Prêmio Jabuti de Literatura. Graduado em História pela Universidade Católica de Salvador, Reis tem mestrado e doutorado pela Universidade de Minnesota (EUA) e diversos pós-doutorados, que incluem as universidades de Londres, na Inglaterra, e de Stanford, na Califórnia (EUA).

João José Reis também foi professor visitante de outras prestigiadas universidades norte-americanas, entre elas Princeton e Harvard. Atualmente, é professor titular do Departamento de História da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Considerado o mais importante prêmio literário do país, o Machado de Assis é concedido anualmente pela ABL desde 1941. No ano passado, o vencedor foi o romancista e contista Ignácio de Loyola Brandão.

Fonte: Portugal Digital

279-premio-machado-assis-grandeOs Estatutos da Academia Brasileira de Letras foram assinados por Machado de Assis, presidente; Joaquim Nabuco, secretário-geral; Rodrigo Otávio, 1º secretário; Silva Ramos, 2º secretário; e Inglês de Sousa, tesoureiro.

A 20 de julho de 1897, numa sala do museu Pedagogium, à Rua do Passeio, realizou-se a sessão inaugural, com a presença de dezasseis acadêmicos. Fez uma alocução preliminar o presidente Machado de Assis. Rodrigo Otávio, 1º secretário, leu a memória histórica dos atos preparatórios, e o secretário-geral, Joaquim Nabuco, pronunciou o discurso inaugural.

Senhores,

Investindo-me no cargo de presidente, quisestes começar a Academia Brasileira de Letras pela consagração da idade. Se não sou o mais velho dos nossos colegas, estou entre os mais velhos. É simbólico da parte de uma instituição que conta viver, confiar da idade funções que mais de um espírito eminente exerceria melhor. Agora que vos agradeço a escolha, digo-vos que buscarei na medida do possível corresponder à vossa confiança.

Não é preciso definir esta instituição, iniciada por um moço, aceita e completada por moços, a Academia nasce com a alma nova, naturalmente ambiciosa. O vosso desejo é conservar, no meio da federação política, a unidade literária. Tal obra exige, não só a compreensão pública, mas ainda e principalmente a vossa constância. A Academia Francesa, pela qual esta se modelou, sobrevive aos acontecimentos de toda casta, às escolas literárias e às transformações civis. A vossa há de querer ter as mesmas feições de estabilidade e progresso. Já o batismo das suas cadeiras com os nomes preclaros e saudosos da ficção, da lírica, da crítica e da eloquência nacionais é indício de que a tradição é o seu primeiro voto. Cabe-vos fazer com que ele perdure. Passai aos vossos sucessores o pensamento e a vontade iniciais, para que eles o transmitam aos seus, e a vossa obra seja contada entre as sólidas e brilhantes páginas da nossa vida brasileira. Está aberta a sessão.

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