Quando o verbo ‘haver’ é impessoal, ou seja, quando não tem sujeito determinado, emprega-se, apenas, na 3ª pessoa do singular, independentemente do tempo e modo verbais.

Assim, o verbo ‘haver’, sinónimo de existir, usa-se para significar a existência de alguma (s) coisa(s): «há uma história»; «há muitas crianças»; haverá problemas»; «houve situações»; «havia muitos casos»; «se dúvidas houvesse».

No entanto, este verbo pode empregar-se em todas as pessoas, quando se comporta como verbo auxiliar, quer nos tempos compostos, quer na conjugação perifrástica: «nós havíamos feito o trabalho»; «eles hão de vencer o campeonato».

Além disso, quando ‘haver’ é verbo principal e significa, por exemplo, ‘obter’ – «os alunos houveram confiança do professor» -, ‘comportar-se’ – os jovens houveram-se muito bem» – e ‘entender-se’- «pediu que eles se houvessem como pudessem» – emprega-se em todas as pessoas verbais.

Existem ainda expressões com o verbo ‘haver que podem ocorrer em todas as pessoas: «haver por bem» – «eles hão por bem irem ao hospital» – ou «haver mister» – «eles hão mister de arranjar colocação».

Por outro lado, ‘ter a ver’ e ‘ter a haver’ são duas locuções verbais que, muitas vezes, são confundidas.

Assim, a primeira pede um complemento de relação introduzido pela preposição ‘com’: «o que tem isto a ver com aquilo?». A segunda (‘ter a haver’) pede, normalmente, complemento direto, pois trata-se de uma expressão verbal transitiva: «como está tudo liquidado, não temos nada a haver», isto é, «não temos nada a receber».

Contudo, chamamos a atenção para a pronúncia. Efetivamente, na expressão ‘ter a haver’ o ‘a’ é aberto, pois resulta da contração (fónica) da preposição ‘a’ com a primeira sílaba do verbo haver.

 Lúcia Vaz Pedro

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