Bissau, 04 mai 2022 (Lusa) – O escritor guineense Tony Tcheka apresentou hoje, em Bissau, o seu mais recente livro, “Quando os cravos vermelhos cruzaram o Geba”, que conta o impacto do 25 de abril de 1974 nos guineenses.

“Sabemos que o 25 de abril nasce na Guiné-Bissau, foi o berço de toda esta situação nova, e isso envolveu pessoas, tocou sentimentos, uniu e desuniu pessoas, provocou viagens inesperadas, novas situações na vida”, afirmou o escritor, no Centro Cultural Português, onde decorreu a apresentação do livro.

Segundo Tony Tcheka, pseudónimo de António Soares Lopes, o livro trata uma “série de acontecimentos que foram surgindo, inesperados na maior parte dos casos, e situações difíceis, de perceber a nova realidade, mais do que perceber, aceitá-la”.

“Essa aceitação passaria muitas vezes por questões identitárias de inserção em sociedades novas à procura de encontrar o ontem, que perderam. Há uma situação de discrepância de choques, desventuras autênticas, tocando famílias, afastando pessoas e algumas entraram em desespero de causa”, afirmou.

“Tudo isto que vai acontecendo neste livro em diferentes situações, com diferentes personagens, numa realidade que mexe com as pessoas e cujas consequências ainda hoje se vivem”, salientou.

O também jornalista explicou que livro abrange um período vasto da história e conta os problemas dos guineenses em Portugal, como conta problemas que “foram na bagagem dos guineenses, como a mutilação genital feminina”.

Tony Tcheka tem vários livros editados e recebeu recentemente o prémio literário Guerra Junqueiro.

A apresentação do livro foi seguida de uma mesa-redonda sobre os “Desafios da edição na lusofonia. Como criar um mercado lusófono do livro”, que marcou o início das comemorações do Dia Mundial da Língua Portuguesa, que se assinala quinta-feira.

MSE // LFS – Lusa/Fim

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António Soares Lopes Júnior

O guineense Tony Tcheka (pseudônimo de António Soares Lopes Júnior), jornalista, escritor, analista social e político e consultor internacional nas áreas de media e comunicação social, nascido e residente em Bissau, vive temporariamente em Portugal e é considerado um dos nomes referência da literatura e da comunicação social guineenses. Destacou-se desde cedo como poeta e também como ativista cultural. Da sua lavra destaca-se: “Noites de Insónia na Terra Adormecida” (Bissau, 1996) ; "Guiné Sabura que Dói" apresentado no Brasil em Novembro de 2008, durante a Festa Literária Internacional de Porto das Galinhas (FLIPORTO) e em Lisboa (2009); “Desesperança no Chão de Medo e Dor” (Mala Posta-Odivelas/2016). “GUINEA”uma brochura poética, trilingue (Kriol/portugues/alemão) na Alemanha, com a Editora Hochroth-Berlimem 2020. No mesmo ano com a Editorial Novembro, publicou em Portugal, no género ficção romanceda “Quando Cravos Vermelhos Cruzaram o Geba”.
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