4 March 2021
Participantes treinam coreografia no espaço de ensaio do grupo cultural Netos do Bandim, durante a preparação do desfile de Carnaval de 2017, Bissau, Guiné-Bissau, 22 de fevereiro de 2017. O grupo conta com 120 pessoas, voluntários com gosto pela dança, mas os ensaios atraem também outros amigos “dos bairros em redor - alguns até gostam e acabam por ficar no grupo”. LUIS FONSECA/LUSA

Guiné-Bissau dança sem medo nos ensaios de Carnaval

Bissau, 25 fev (Lusa) – Na hora dos ensaios do grupo Netos do Bandim, o chão treme com a força dos pés descalços a esmagar a terra, sem receio, e a levantar poeira que tapa o sol e rodopia com os dançarinos miúdos e graúdos.

“Os guineenses são um povo alegre, aberto e quando ouvem o som dos tambores as pessoas aparecem”, conta à Lusa Hector Cassama (conhecido como Negado), coordenador do grupo cultural que é um dos principais embaixadores artísticos do país.

Quem atravessa a estrada da Zona 7 de Bissau orienta-se pelo batuque para chegar ao local, feito de paredes em cana entrelaçada (a que chamam “crintim”) e cobertura de zinco.

À cabeça, meia-dúzia de pessoas tocam tambores, no meio há dezenas a dançar de acordo com coreografias supervisionadas por Negado e à volta está um mar de gente.

O grupo conta com 120 pessoas, voluntários com gosto pela dança, mas os ensaios atraem também outros amigos “dos bairros em redor – alguns até gostam e acabam por ficar no grupo”.

Os movimentos são rápidos e vincados: elas puxam pelo quadril, empurram o peito para fora e provocam os homens que respondem ao mesmo ritmo, com pé leve e braços a mostrar força.

Outras danças são mais calmas e juntam só homens ou só mulheres, em retratos da vida social.

“Temos danças de diferentes etnias. A Guiné-Bissau é um país de muitas etnias e escolhemos algumas para representar um pedaço do que é o país”, justifica Negado.

Estas danças são o trunfo para seduzir o público para um carnaval em que pode faltar muita coisa, mas nunca ritmo e alegria: todos os anos esta é a maior festa nacional com dezenas de grupos de diferentes regiões juntos em desfile na capital.

Desta vez os patrocinadores dizem que não é bem assim, que a maior festa foi a participação da seleção de futebol guineense na Taça Africana das Nações, em janeiro – apostaram tudo e deixaram o carnaval sem apoios, de tal forma que não vai haver o habitual corso de terça-feira, justificou a Direção-Geral de Cultura.

Mas os Netos do Bandim acham que ninguém pode destronar a folia do entrudo e desfilam na mesma.

“Estamos a comemorar 11 anos de presenças no desfile nacional de Carnaval, por isso vamos fazer uma demonstração destes dez anos” de coreografias, refere o coordenador.

LFO // VM – Lusa/Fim
Participantes treinam coreografia no espaço de ensaio do grupo cultural Netos do Bandim, durante a preparação do desfile de Carnaval de 2017, Bissau, Guiné-Bissau, 22 de fevereiro de 2017. O grupo conta com 120 pessoas, voluntários com gosto pela dança, mas os ensaios atraem também outros amigos “dos bairros em redor - alguns até gostam e acabam por ficar no grupo”. LUIS FONSECA/LUSA

Participantes treinam coreografia no espaço de ensaio do grupo cultural Netos do Bandim, durante a preparação do desfile de Carnaval de 2017, Bissau, Guiné-Bissau, 22 de fevereiro de 2017. O grupo conta com 120 pessoas, voluntários com gosto pela dança, mas os ensaios atraem também outros amigos “dos bairros em redor – alguns até gostam e acabam por ficar no grupo”. LUIS FONSECA/LUSA

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