7 March 2021
Desfile de Carnaval em Bissau, 3 de março de 2014. LUÍS FONSECA/LUSA

Guiné-Bissau celebra Carnaval do “Nturudu”

Bissau, 06 fev (Lusa) – A Guiné-Bissau festeja quatro dias de Carnaval com o “Nturudu” no centro das atenções, naquela que é a maior festa popular do país mas afetado por mais uma grave crise política.

Nturudu, figura fantasmagórica caraterizada pelas vestes espalhafatosas, danças e andar alegóricos, foi, no passado, a atração do Carnaval guineense, mas que nos últimos anos tem vindo a desaparecer das manifestações carnavalescas.

Normalmente o Nturudu é um jovem (de sexo masculino) que se veste com roupas velhas, botas, usa uma máscara (feita de papel), simbolizando animais, políticos ou objetos que se põe a dançar ou a andar nos bairros ao ritmo das cantigas de escárnio cantadas por crianças ou raparigas do seu grupo.

Não será de se admirar que algum Nturudu se apresente a concurso com uma máscara ou uma vestimenta a simbolizar um dos líderes políticos do país atualmente desavindos.

A ideia é “satirizar” o político ou “castigar” as raparigas com açoites com as “mantampas” (varapaus) para cobrar um namoro negado.

Nos últimos anos o Carnaval guineense tem vindo a demarcar-se dessa realidade, facto que a comissão organizadora considera “um erro que deve ser corrigido rapidamente”, sob pena de a Guiné-Bissau perder a autenticidade, notou António Spencer Embaló, presidente da comissão organizadora do Carnaval 2016.

Logo que foi designado pelo Governo, Spencer Embaló, um jovem sociólogo que se tem notabilizado nas ações de afirmação da cidadania, elegeu o Nturudu como o mote para a festa que hoje arranca.

desfile de Carnaval em Bissau, 3 de março de 2014. LUÍS FONSECA/LUSA

Desfile de Carnaval em Bissau, 3 de março de 2014. LUÍS FONSECA/LUSA

“O principal atrativo é o tal resgate, é trazer de volta o Nturudu (…), acreditamos que o sinal distintivo do nosso Carnaval é de facto o Nturudu. Não temos conhecimento da existência do Nturudu, da forma de manifestar de se vestir de se apresentar, daquelas máscaras”, numa outra parte do mundo, observou Embaló.

Para incentivar a participação dos concorrentes o Governo disponibilizou 80 milhões de francos CFA (122 mil euros) para premiar os vencedores nas categorias do Nturudu e de grupos, os quais começam a desfilar a partir de sábado na principal avenida de Bissau, até terça-feira, dia da consagração.

Cento e cinquenta pessoas inscreveram-se para o concurso do Nturudu.

Os três melhores serão premiados, enquanto doze grupos irão disputar o pódio, sendo que oito são das regiões e quatro de Bissau.

Como novidades para o Carnaval de 2016, Spencer Embaló apontou a realização dos desfiles a partir do final da tarde – anteriormente aconteciam a meio da tarde – até à noite, festas e musica ao vivo em vários locais de Bissau e ainda o levantamento da interdição de captação de imagens por parte dos turistas.

“Para nós não faz sentido essa proibição de captação de imagens se é nosso propósito internacionalizar o nosso Carnaval”, defendeu Embaló, que tem como meta, num período de três anos profissionalizar a estrutura organizadora do Carnaval guineense.

MB // EL – Lusa/Fim

 

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