4 March 2021
O Governo francês comprometeu-se a fazer uma “análise particularmente atenta” da possibilidade de recrutar, a partir de 2014, professores de português nos concursos de agregação em França, em resposta a uma carta do deputado socialista Pascal Cherki.

Governo francês vai “analisar” criação de postos para professores de português

Em setembro, numa carta enviada ao primeiro-mistro, Jean-Marc Ayrault, ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Laurent Fabius, e ao ministro da Educação Nacional, Vincent Peillon, Pascal Cherki pedia ao Governo que refletisse sobre a necessidade de se “operar rapidamente uma inflexão da política de cooperação educativa e linguística com Portugal, e uma redinamização da aprendizagem da língua portuguesa” no país.

O deputado sublinhava que o número de alunos de português em França tem subido, em média, 5 por cento por ano desde 2001, e, por oposição, o número de professores decresce desde 1998: “De 338 professores passámos para 254, em 2011”, escreveu.

“Outro sinal inquietante é que nenhum posto para professores língua portuguesa foi criado em 2011 e 2012 nos concursos de Certificado de Aptidão Profissional para o Ensino Secundário (CAPES) e Agregação [os concursos que permitem a efetivação de professores no quadro da função pública francesa]”, acrescentou.

Hoje, em Paris, em declarações aos jornalistas à margem da conferência “As mudanças em curso no ensino do português no estrangeiro”, proferida na Sorbonne pelo secretário de Estado das Comunidades portuguesas, José Cesário, Pascal Cherki fez saber que recebeu duas respostas.

“O ministro dos Negócios Estrangeiros disse-me que há um acordo de cooperação educativa entre França e Portugal que é de 2006 e que está a ser reavaliado. E o ministro da Educação Nacional disse-me que tinha consciência do problema, e ia analisar a situação”, afirmou o deputado.

No quadro da renegociação do acordo de cooperação, o deputado diz esperar “que se aproveite a oportunidade para nivelar por cima e não por baixo as políticas”. Quanto à criação de lugares efetivos para professores de português, Cherki espera que tenha lugar até 2014.

“Espero que sejam criados postos, não apenas para compensar os lugares dos professores que passam à reforma, mas para aumentar a oferta de aprendizagem do português em França”, esclareceu.

Na resposta do Ministério da Educação, que está digitalizada na página do deputado na Internet, pode ler-se que a tutela se compromete a analisar “de forma particularmente atenta o recrutamento de professores de português”, depois de 2013.

Pascal Cherki sublinhou ainda que aproveitou a presença de José Cesário para expressar a sua preocupação com “as consequências dos cortes orçamentais do Governo português na Educação”, que, teme, acabarão por afetar o ensino do francês em Portugal.

Para o deputado, neste campo da cooperação as culpas são partilhadas, e “o que é preciso é que se avance e que se faça as coisas de outra forma, e melhor, no interesse das populações dos dois países”.

“A aproximação entre os mundos francófono e lusófono já se faz através das pessoas, mas, para ganhar outra dimensão, precisa de organização política e de meios”, concluiu.

 

JYF // HB

Lusa/fim.

Foto: LUSA – Exposição “Fernando Pessoa – Plural como o Universo”, Rio de Janeiro, 25 de março de 2011. JUAN GUERRA/LUSA

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