25 February 2021
"Só com a garantia de poder aceder à escola, uma parte das populações pode ter acesso à língua portuguesa", sublinhou Amaral Lala.

Garantir o acesso à aprendizagem da Língua Portuguesa

Um representante do Ministério das Relações Exteriores angolano afirmou hoje que antes de se exportar o português para fora do espaço da comunidade lusófona devem primeiro ser criadas condições de acesso à língua em alguns Estados-membros.

Amaral Lala falava hoje, no segundo e último dia de trabalhos da segunda conferência da língua portuguesa, a decorrer em Lisboa, numa sessão subordinada ao tema “Internacionalização e Indústrias Culturais”.

O responsável angolano sublinhou a necessidade de estabelecer metas coletivas, a nível da educação e na luta contra o analfabetismo, já que o investimento na educação é condição essencial para o desenvolvimento e afirmação de cada um dos oito Estados da CPLP (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste) no sistema mundial.

“Só com a garantia de poder aceder à escola, uma parte das populações pode ter acesso à língua portuguesa”, sublinhou Amaral Lala.

Promover o multilinguismo e a diversidade cultural como elementos de promoção da língua portuguesa, de forma a tornar os Estados da Comunidade mais atrativos, não só a nível da língua, como a cultura, sobretudo para Estados não falantes de português, disse.

Para isso, defendeu a identificação de estratégias de promoção e divulgação cultural, em particular na Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), em que o português é língua oficial.

“A UNESCO pode ser um laboratório para os países da CPLP”, considerou.

Também Arlindo Isabel da Universidade Agostinho Neto, de Angola, ressalvou a existência de “mais ou menos duas velocidades nos países da CPLP, à exceção de Portugal e do Brasil”.

Os restantes países têm uma posição diferente em relação à difusão e promoção da língua portuguesa, “um elemento de inclusão social”, vital para a comunicação entre as diferentes culturas que habitam esses países.

Se os oito países da CPLP consideram que a língua é um património imaterial a defender, é preciso implementar estratégias coletivas para que os esforços de uns (países) estimulem as hesitações de outros, defendeu.

Arlindo Isabel sublinhou também a importância das diásporas dos Estados-membros da CPLP, elemento fundamental na promoção e difusão da língua fora do espaço da comunidade, já referido nas Cartas da Praia (novembro de 2011), Maputo (setembro de 2011) e Luanda (julho de 2010).

Não é apenas o poder do Estado que determina a importância da língua, o denominador comum é a influência ao nível do conhecimento, como as obras publicadas, ou o reconhecimento internacional de instituições como as universidades.

Na classificação das 200 universidades de maior reconhecimento internacional não existe nenhuma da CPLP, destacou.

Na abertura da sessão, o coordenador Antonio Sartini, diretor do Museu de Língua Portuguesa, referiu que a instituição, criada há sete anos, em São Paulo (Brasil), representa um património que é um idioma.

O museu é o mais visitado da América Latina e do Brasil e a maioria dos visitantes é oriunda de países não lusófonos, adiantou o brasileiro.

“A língua portuguesa é o elo fundador da unidade do povo brasileiro, cuja diversidade cultural é a riqueza do Brasil”, sublinhou.

Sartini acrescentou que no espaço da CPLP convivem 330 idiomas vivos e “esta diversidade deve ser celebrada e valorizada, o que vai fazer do português uma língua mais desejada pelos não falantes”.

“O português assume-se assim, não como uma língua opressora, mas libertadora, para si e para todas as culturas que engloba”, disse.

“É a língua do conhecimento, da educação e dos nossos sonhos, que nos permite projetar um futuro para todas as nossas comunidades”, declarou.

O objetivo da segunda conferência da língua portuguesa é aprovar um documento formal – o Plano de Ação de Lisboa – que incluirá uma introdução de caráter político e programático, a avaliação do Plano de Ação de Brasília (aprovado na primeira conferência em 2010), e as recomendações para o futuro do português, no âmbito de organizações internacionais, no plano da produção científica, da inovação, dos negócios e do empreendedorismo.

 

EJ // VM – Lusa/Fim

Foto LUSA:  Murade Isaac Murargy, Secretário Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

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