Maputo, 03 dez (Lusa) – A Galp alerta que equívocos na fase inicial do investimento no gás natural em Moçambique podem comprometer “um projeto para gerações”, esperando uma decisão final nos próximos meses para a plataforma flutuante prevista para o “offshore” da bacia do Rovuma.

“Há muito trabalho a ser feito, muitos passos estão a ser dados e é muito importante que não nos equivoquemos nesta fase inicial, porque vamos ficar comprometidos num projeto para gerações, para 30, 40, 50 anos”, disse à Lusa o presidente da comissão executiva da petrolífera portuguesa, Carlos Gomes da Silva, que se encontra de visita a Maputo para participar no primeiro fórum económico e social de Moçambique (Mozefo).

O dirigente da Galp, que está presente na pesquisa e exploração de gás natural no norte de Moçambique, com uma participação de 10% no bloco 4, liderado pela italiana ENI, espera uma decisão final de investimento do consórcio nos próximos meses para a plataforma flutuante a ser construída no “offshore” da bacia do Rovuma, mas o projeto em terra deverá demorar mais tempo.

“O que estamos a fazer, no contexto atual de baixa de preços do petróleo e de expetativas mais contidas, é criar condições para que quer o projeto ‘onshore’ quer o projeto ‘offshore’, que é o projeto âncora e de futuro neste processo, sejam sustentáveis e rentáveis”, afirmou.

Gomes da Silva observou que o investimento implica pressupostos como a colocação do gás, através de contratos de longo prazo e superiores a vinte anos, os projetos de engenharia e financiamento.

Foto GALP Energia: Exploração e Produção

Foto GALP Energia: Exploração e Produção

“Trata-se de projetos que exigem grandes recursos financeiros e uma complexidade contratual sofisticada e, quando estiverem reunidas estas premissas e dentro de pressupostos de rentabilidade, é que tomaremos a decisão de investimento”, declarou.

Carlos Gomes da Silva insistiu que este tipo de indústria “consome muito tempo” e que o facto de o calendário não estar alinhado com a expetativa inicial do Governo moçambicano – que esperava o início da exploração antes do fim desta década – não significa que as empresas não estejam a trabalhar.

“Pelo contrário, a sofisticação de meios que é exigida, o nível de recursos que temos colocados, todos, para o projeto é enorme”, assegurou, salientando que todos têm pressa mas “é preciso consciência de que se tem de fazer bem”.

Em relação ao projeto em terra, o presidente da comissão executiva da Galp lembrou que exige um processo de unitização, envolvendo as empresas da área 1, liderada pela norte-americana Anadarko e que também não tomou ainda a sua decisão final de investimento, mas um acordo prévio com a chancela do Governo moçambicano permite que qualquer uma das partes tenha autonomia para avançar os seus projetos.

“O processo de unitização é necessário mas não limitativo”, referiu Gomes da Silva, acrescentando que os dois consórcios continuam a trabalhar também na criação de instalações e infraestruturas para o projeto em terra.

Gomes da Silva descreveu o projeto de gás natural em Moçambique como “um dos dois grandes ativos da Galp”, a par do Brasil, onde o projeto se encontra já “numa fase de desenvolvimento acelerado para atingir uma maturidade de produção em oito a dez anos”.

O projeto de Moçambique encontra-se numa fase similar à que o Brasil experimentava há justamente oito a dez anos, segundo o gestor da Galp, que considera “natural e justa” a expetativa que os moçambicanos colocam no início da exploração de gás natural e que pode representar uma aceleração da sua economia, que é já uma das mais crescentes na África Austral, e numa forte fonte de receitas para o Estado.

“O que não está devidamente calibrado, naquilo que é o cidadão comum, é a expetativa temporal, e é preciso falar claro e ser realista e explicar quais são os vários marcos que o projeto tem de inevitavelmente seguir”, defendeu, voltando a falar da complexidade do projeto, que implica, pela primeira vez, a utilização de uma plataforma flutuante na exploração de gás natural e que “Moçambique vai ter uma tecnologia nova de fronteira”.

HB // ATR – Lusa/Fim

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