9 March 2021
O futuro do Instituto Português do Oriente (IPOR) passa por "criar consumidores" da língua e culturas portuguesas em Macau.

Futuro do Instituto Português do Oriente

“O IPOR não é apenas o veículo para a aprendizagem da língua, mas tem um papel muito mais abrangente ao pretender criar uma comunidade ‘consumidora’ da língua e cultura portuguesas em Macau e de Macau para o mundo e em todas as vertentes sociais”, afirmou aquele responsável, ao fazer um balanço de seis meses à frente da instituição.

Com cerca de mil alunos em cursos de língua e outra centena em programas específicos para a Administração Publica de Macau, João Laurentino Neves espera ver o número de estudantes crescer em breve fruto do reconhecimento pelos Serviços de Educação dos cursos do IPOR como elegíveis para o programa de formação contínua do Governo.

Já em julho, o IPOR organiza cursos intensivos de português e tem já inscritos cerca de uma centena de alunos em dois níveis de formação e em conversação.

Atualmente o IPOR aposta também na certificação dos conhecimentos de português com os padrões do Centro de Avaliação de Português Língua Estrangeira e do Quadro Europeu Comum de Referência, uma forma de “credibilizar a formação ministrada e as capacidades dos estudantes e da comunidade”.

João Laurentino Neves defende também um maior contacto com a comunidade de Macau para que esta “sinta vontade de aprender a língua portuguesa e o reconheça como uma mais-valia para a sua vida profissional e quotidiana”.

“Queremos que o conhecimento da língua seja sentido como útil em termos profissionais e no dia-a-dia, assumindo uma componente cultural existente em Macau que está à vista de todos, mas que se não for valorizada passa despercebida numa população maioritariamente chinesa”, disse.

Com uma visão do ensino da língua não apenas concentrado em sala de aula, João Laurentino Neves sustenta um trabalho conjunto com Universidades e instituições públicas de Macau que visa a “promoção do diálogo intercultural entre Portugal e Macau” ao mesmo tempo que aproxima a comunidade do IPOR e a instituição da sociedade local respondendo às suas sugestões e dinâmicas próprias.

“É nesse sentido que o nosso Dia Aberto se designará ‘Língua Portuguesa em festa’ e já no sábado, 01 de julho, vamos mostrar o nosso trabalho de uma forma diferente, ou seja, promovemos a língua e a cultura utilizando pequenos núcleos nas nossas instalações que vão do cinema à música, da língua à gastronomia” no qual os visitantes percorrem as instalações cumprindo um programa e depois podem ganhar vários prémios.

Além da promoção institucional e da colaboração com as autoridades locais, João Laurentino Neves tem na agenda diversas organizações até ao final de 2013 como seminários, concertos e algumas palestras sobre diversos temas, bem como a criação de um guia de conversação português-chinês e a participação na feira do livro em Hong Kong.

“São projetos e ações que visam a mesma coisa: proporcionar a exposição e o contacto com expressões criativas, artísticas e técnico-científicas da língua que consolidem a pertença a uma comunidade de língua e de cultura que tem hoje mais de 300 milhões de falantes, afirmando o papel de plataforma, de difusão e de mediação do IPOR”, concluiu.

JCS // PJA – Lusa/fim

Foto: MACAU – IPOR. 28/05/2002. FOTO MANUEL MOURA/LUSA

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