3 March 2021
Mais de 300 especialistas preparam, em Lisboa, Plano de Ação para o futuro da língua portuguesa. Reforçar o português como língua de ciência internacional e criar um sistema uniforme de certificação internacional do ensino de português no estrangeiro são estratégias em debate.

Futuro da língua portuguesa em debate em Lisboa

Em todo o mundo são já mais de 250 milhões de pessoas que falam português, o que representa 3, 7% da população mundial. Mas as potencialidades da língua portuguesa estão a crescer como reforçou Rui Manchete, Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, na sessão de abertura da ‘2ª Conferência Língua Portuguesa no sistema mundial’, a decorrer em Lisboa.

O Ministro português destacou vários dados estatísticos sobre a importância da língua portuguesa, ao referir que «é hoje a sexta língua mais falada no mundo, a terceira língua europeia de expressão global e o primeiro idioma no hemisfério sul».
Para além disso, «é utilizada como língua oficial de trabalho ou de documentação em mais de duas dezenas de organismos multilaterais ou regionais, incluindo as Nações Unidas», pelo que, acrescentou Rui Machete, «tal expansão pelas vantagens potenciais que lhe advêm deveria merecer particular interesse aos seus falantes e esforços significativos aos Governos dos seus Estados para desenvolverem uma política concertada de defesa e promoção».
Mas a língua portuguesa tem também ganho um outro espaço no panorama internacional, dada a cada vez maior importância do ponto de vista económico.
Miguigy Murargy, Secretário Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), referiu que, sendo que a língua portuguesa «representa 3, 7% da população mundial e 4% da riqueza total mundial, o seu valor traduz-se num crescente impacto no mundo de negócios de projeção global».
Um impacto que é já visível com um cada vez maior número de cidadãos de países fora da CPLP que procuram aprender português. «É exponencial o número de pessoas de países terceiros que estão a aprender a língua portuguesa, fora da Europa, nomeadamente na África Austral, na América do Sul, na Rússia e na China, em que se verifica um cada vez maior interesse pelo seu estudo», afirmou Rui Manchete.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros deu ainda como exemplo o caso da economia chinesa que «em fase expansionista tem vindo a mostrar vivo interesse pelo mercado lusófono e o recente interesse exponencial de cursos portugueses naquele país, ilustra de forma paradigmática o modo como a língua e a economia andam de mãos dadas».
Pelo que, afirmou Rui Manchete, «dispomos de dados concretos para afirmar que a língua portuguesa é hoje uma das mais influentes no mundo com tendência para reforçar a sua posição na sociedade do conhecimento enquanto idioma de ciência e de cultura».
Sobre a crescente interesse dos estrangeiros em aprender a língua portuguesa, Ivo Castro, Presidente da Comissão Científica da Conferência, afirmou que «temos de estar preparados para fornecer ensino de qualidade», pelo que se deveria «pensar se não seria possível montar um sistema de certificação internacional de competências linguísticas em português único, uniforme e homogéneo».

Afirmar o português como língua de ciência internacional
De entre os temas em destaque na ‘2ª Conferência Língua Portuguesa no sistema mundial’, estão a ciência, tecnologia e inovação e a possibilidade de afirmar a língua portuguesa enquanto língua de ciência à escala internacional, mas também o reforço da língua portuguesa nas grandes organizações internacionais através de uma maior aposta na formação de intérpretes ou o reforço da língua e cultura portuguesa junto das diásporas.
A Conferência vai ser ainda oportunidade para monitorizar os alcances realizados no âmbito do Plano de Ação de Brasília, resultante da ‘1ª Conferência Língua Portuguesa no sistema mundial’, realizada naquela cidade brasileira em 2010.
Da Conferência, a decorrer em Portugal, deverão sair novas linhas estratégias para o futuro da língua portuguesa que serão ainda esta semana discutidas em Lisboa a nível técnico e político, por forma a definir-se o Plano de Ação de Lisboa.
Neste novo Plano de Ação, o Secretário Executivo da CPLP, referiu que devem estar refletidos alguns domínios como a «Ciência, Tecnologia e Inovação, onde devemos apostar no espaço da CPLP como um espaço de ensino e conhecimento, harmonizando o léxico e investindo na produção de ciência em português».
Mas também «o empreendedorismo e a economia criativa. Um dos eixos que promove maior difusão das nossas expressões culturais, mas cuja projeção carece de ação multilateral concertada».
Assim como, acrescenta o Secretário Executivo da CPLP, «o ensino da língua portuguesa dentro do espaço da CPLP e em países estrangeiros, sendo nesta dimensão essencial a criação de um sistema de certificação comum com uma nova aposta no uso das novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), bem como a formação de professores de língua portuguesa e o apoio à sua mobilidade dentro e fora do espaço da comunidade».
Sobre o ensino superior, Miguigy Murargy, destacou a sua importância no espaço da CPLP e avançou «visto que reconhecemos conjuntamente a importância da circulação do conhecimento académico e cientifico, da colaboração em redes de investigação e de implementação conjunta de projetos de cooperação, deixo aberta a reflexão sobre um programa que permita promover a mobilidade de estudantes, professores, investigadores, pessoal técnico e administrativo através da cooperação institucional comunitária».
O Secretário Executivo da CPLP acrescentou ainda que, merece especial atenção uma reflexão sobre a possibilidade de «promover a cooperação na avaliação da qualidade do ensino superior e na identificação de critérios e metodologias comparáveis» e «promover a harmonização de concertação do desenvolvimento curricular e desenvolver programas conjuntos de formação graduada e pós-graduada e de investigação».

Fonte: TV Ciência

Foto: O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, discursa durante a 2.ª Conferência sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial. 29 de outubro de 2013. JOAO RELVAS / LUSA

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