O economista guineense Carlos Lopes defendeu hoje, numa conferência em Lisboa, que o futuro da comunidade lusófona passa por reforçar a dimensão económica das relações entre os oito estados-membros que a integram.

Sublinhando que o continente africano já representa “3, 7% da população mundial e 4% da riqueza global” e que o português já é a “sétima língua mais utilizada do mundo e que mais está a crescer na internet”, o atual secretário-executivo da Comissão Económica para África das Nações Unidas realçou que “é preciso explorar” a “dimensão económica extraordinária” da comunidade lusófona.

Carlos Lopes sublinhou a distinção entre a comunidade lusófona e a organização da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que o convidou para orador na conferência de hoje, destacando que esta “pouco pode” se os países que dela fazem parte não tiverem vontade que possa mais.

Na opinião do economista, “este é o momento para refletir sobre o futuro da comunidade” lusófona e também o tempo de “focar na economia” e definir como “investimento principal” as novas tecnologias, que têm ainda “um potencial enorme de aproximação da comunidade”.

Pelo “crescimento exponencial” e pela “contribuição para a formação de um produto interno bruto completamente diferente”, Carlos Lopes vê “um potencial enorme de crescimento” das novas tecnologias em África, defendendo que a comunidade lusófona deve “surfar na onda”.

Até porque, constatou, no que à língua e à cultura diz respeito, “as vitórias” têm sido “modestas” e persistem “bastantes limitações e falhas”, como o demonstra o caso do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, que “não conseguiu ainda responder ao nível de ambição, por falta de dinheiro”.

O investimento de “20 milhões de dólares” para promover a língua portuguesa internacionalmente, nomeadamente elevando-a a língua oficial das Nações Unidas, poderia ser capitalizado “com outro tipo de investidas”, defende.

A realidade económica está em “transformação muito rápida” no continente africano, onde já “há mais telefones celulares do que nos Estados Unidos ou na Europa”, recordou.

Sendo certo que “taxa de penetração da internet ainda é baixa”, as estimativas apontam para que atinja os 100% dentro de 20 anos, referiu, antecipando um “salto de sapo” para África.

“Eu vejo as novas tecnologias como uma espécie de veículo, não como um fim, mas como um meio para chegar a determinados fins”, explicou.

Questionado pelo próprio secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação português, Francisco Almeida Leite, sobre as melhores medidas para fortalecer os laços económicos na comunidade lusófona, Carlos Lopes respondeu que investiria “menos na cooperação técnica tradicional” e promoveria uma “reunião de reflexão estratégica” no quadro da CPLP.

SBR // HB – Lusa/fim.

Foto:  Arquivo LUSA –VI Cimeira de Chefes-de-Estado da CPLP, 17 de Julho de 2006 na Assembleia em Bissau.TIAGO PETINGA/LUSA

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