O concurso anual promovido pelo Instituto Camões de Maputo, que atribui o Prémio Eloquência às melhores apresentações de textos produzidos por estudantes moçambicanos do primário e secundário, distinguiu Rosa Matos, aluna na Escola Primária Completa da Polana Caniço A, e Emily Micas, da Escola Primária 16 de Junho.

Em declarações à Lusa, Francisco Manuel Tembe Jr. destacou a sua decisão “de última hora” de falar sobre a importância do meio ambiente na prova que o vencedor pretendeu que fosse uma forma de aprender a expressar-se perante às pessoas.

“Foi uma coisa de última hora. Recebi a informação da minha professora de português e decidi participar. Não sou muito de participar em concursos, mas algo me motivou a participar neste e eu disse: deixa arriscar”, contou Francisco Manuel Tembe Jr, que elaborou o texto em três dias.

“Fiz o texto num sábado, domingo e na segunda-feira fui entregar à professora. Ela disse que a surpreendi, mas disse-me: ‘tu podes melhorar'”, acrescentou o estudante, que, de seguida, cumpriu a orientação da professora e venceu a competição.

Aos 12 anos, Emily Micas, aluna do 6º ano, levou uma hora para escrever e retificar sozinha um texto sobre o linchamento que lhe permitiu conquistar o Prémio Eloquência Camões, edição 2013.

Recentemente, a cidade da Matola, nos arredores de Maputo, viveu momentos de agitação devido à eventual ocorrência de casos de violações sexuais e uso de ferro quente de passar a roupa para “engomar” as vítimas, que levou a que em alguns bairros daquele município as populações iniciassem um patrulhamento noturno, por considerarem que a polícia não estiva a dar resposta adequada.

“O meu trabalho foi baseado naquilo que assistimos no dia-a-dia. Eu assisto muito o telejornal por obrigação dos meus pais, mas também gosto. Então eu via (os “media”) sempre a repetirem a mesma matéria em bairros diferentes e aquilo foi algo que me chamou atenção”, disse Emily Micas na entrevista à Lusa, na qual confessou que gosta de falar sobre os direitos humanos “porque gostaria de ser advogada ou juíza”.

Todos os estudantes selecionados participaram nas oficinas de Oralidade/Eloquência, atividade orientada pela atriz moçambicana Ana Magaia, que, juntamente, com Lurdes Rodrigues, representante do Fundo Bibliográfico da Língua Portuguesa, e José António Marques, formador do Camões em Maputo, compõem o júri.

Como formadora, Ana Magaia orienta os alunos a melhorar a sua dicção, a ter melhor postura, a saber colocar a voz, para que tenham uma boa eloquência na hora de atrair o auditório.

Ana Magaia disse à Lusa ter sido “complicado” orientar as oficinas de Oralidade/Eloquência, que também pretendem motivar os estudantes para a importância da expressão oral em língua portuguesa e contribuir para a consciencialização da sua aplicação no mercado de trabalho, em áreas como a comunicação social, a docência, a publicidade e o teatro.

“Este ano foi complicado, porque o grupo que recebi era de todo heterogéneo, quer dizer, era muito complicado. Tinha crianças com 12 anos, na 6ª classe, que não sabem ler; meninos de 12ª classe também com imensas dificuldades, mas outros eram mais expeditos. Então, eu tinha que juntar estas diferenças todas e tentar criar um sentido de equilíbrio na transmissão das matérias”, afirmou a atriz.

Falando aos jornalistas, o assessor da direção do Instituto Camões de Maputo, Matteo Angius, destacou o sucesso da 11ª edição do concurso em que participaram 18 escolas primárias do segundo grau e secundárias de Maputo e Matola.

“O que nós iremos fazer no próximo ano é trabalhar com os professores de português para, de facto, eles puderem dar mais impulso às crianças’, afirmou Matteo Angius, admitindo estender o concurso para outras regiões moçambicanas, nomeadamente à cidade da Beira, no centro do país.

 

MMT // MLL – Lusa/Fim

Foto: Francisco Manuel Tembe Jr., de 17 anos, estudante do 12º ano na Escola Secundária Quisse Mavota, ANTONIO SILVA/LUSA

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