O fotógrafo português João Carvalho Pina, finalista do Prémio de Jornalismo García Márquez, considerou que retratar e documentar a vida das pessoas é o grande objetivo do trabalho que realiza.

“Retratar a vida das pessoas é o que tem mais impacto. Não ando atrás do impacto, ando atrás de documentar o que está a acontecer, muito mais do que o impacto que isso possa causar”, sublinhou.

Finalista do prémio de jornalismo García Márquez, instituido pela Fundação Gabriel García Márquez para o Novo Jornalismo Ibero-Americano (FNPI, sigla em espanhol), o trabalho de João Pina – “Filhos de uma guerra suja” – foi selecionado na categoria de “Imagem Jornalística”.

O resultado do concurso vai ser anunciado na quarta-feira, em Medellin (Colômbia).

“‘Filhos de uma guerra suja’ é uma reportagem específica do trabalho ‘A Sombra do Condor'”, disse. Este trabalho foi desenvolvido ao longo de oito anos para documentar, na América Latina, a memória da ‘Operação Condor’, ações de repressão de opositores das ditaduras na Argentina, Bolívia, Brasil, Uruguai, Paraguai e Chile, na década de 1970.

“Não acho que este trabalho tenha um impacto de forma a mudar o que quer que seja. Apenas pode levar a que [alguns temas] estejam mais na agenda”, sublinhou.

“Não trabalho para ter visibilidade (…) e não penso que seja necessário trabalhar fora de Portugal para ser visível. Importante é trabalhar em profundidade e isso é que ajuda a ter visibilidade”, acrescentou.

João Carvalho Pina afirmou ser “uma grande honra ter o nome ao lado de fotógrafos e amigos e de mostrar este trabalho a outras audiências”.

Além de “A Sombra do Condor”, o fotógrafo fez trabalhos sobre a “primavera árabe”, as favelas do Rio de Janeiro, a guerra no Afeganistão, Cuba 2002-2008, e sobre os presos da polícia política portuguesa (PIDE) e o período a seguir ao 25 de abril em Portugal (PREC), entre outros

João Pina, que concorreu a este prémio pela primeira vez, em 2010, considerou ter poucas hipóteses de ganhar, não só pela qualidade dos trabalhos a concurso, como pelo “óbvio foco em notícias que este trabalho não tem”.

Este concurso tem como antecedente direto o Prémio CEMEX+FNPI, que entre 2000 e 2010, distinguiu os melhores trabalhos jornalísticos ibero-americanos.

Com este prémio, a FNPI pretende distinguir a procura da excelência, inovação e coerência ética dos jornalistas e ‘media’ que trabalhem e publiquem em língua espanhola e portuguesa, no continente americano (incluindo Estados Unidos e Canadá) e na península ibérica

O prémio distingue um entre dez trabalhos finalistas em quatro categorias: ‘crónica e reportagem’, ‘imagem jornalística’, ‘cobertura noticiosa’ e ‘inovação’.

Os vencedores de cada categoria recebem um diploma e 15 mil dólares (11, 1 mil euros). Os dois finalistas de cada categoria a concurso recebem um diploma e 2.500 dólares (1850 euros).

Prémio Nobel da Literatura em 1982, Gabriel García Márquez foi jornalista durante vários anos e trabalhou para diferentes jornais colombianos.

EJ // HB – Lusa/Fim

Fotografia de João Carvalho Pina na vila alentejana de Mora, que integra o conjunto de três exposições na Cordoaria Nacional, organizadas pela Estação Imagem, em parceria com a Câmara Municipal de Mora: AFEGANISTÃO de João Silva, PRÉMIO DE FOTOJORNALISMO 2011 ESTAÇÃO IMAGEM|MORA, e O PREC JÁ NÃO MORA AQUI de João Pina. LUSA. 05/06/2012.

Observatório da Língua Portuguesa
autores Observatório da Língua Portuguesa

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