Fórum recomenda adoção do cabo-verdiano como língua oficial, a par do português

Projeto há longos anos em discussão, a oficialização do crioulo de Cabo Verde como língua nacional do arquipélago, ao lado do português, não tem avançado, face às diferentes variantes de uma língua que, apesar de ter base gramatical, ainda é alvo de fortes divergências entre os falantes das nove ilhas habitadas no país.

No fórum, intitulado “Por Um Bilinguismo Social Efetivo: A Oficialização da Língua Cabo-Verdiana”, que decorreu na Cidade da Praia, a justificação na base da oficialização está a imperatividade de os cidadãos cabo-verdianos terem o dever de conhecer as línguas oficiais e o direito de usá-las.

“O bilinguismo desafia os poderes públicos para políticas linguísticas inovadoras”, apelaram os participantes, que defenderam que o Estado deve promover a construção progressiva do bilinguismo social efetivo das duas línguas em Cabo Verde.

Nesse sentido, concluíram, deverão ser accionados todos os mecanismos que envolvam a sociedade civil na elaboração das propostas técnicas, bem como promover um programa sistemático de investigação da língua cabo-verdiana, com descrição de todas as suas variedades, na perspectiva do seu desenvolvimento lexical e estilístico.

Ao intervir no fórum, o presidente da Assembleia Nacional (AN) cabo-verdiana, Basílio Mosso Ramos, admitiu que a oficialização do cabo-verdiano “não é uma tarefa fácil”, mas defendeu, porém, ter chegado a hora da sua materialização.

“Se a nossa sociedade já é maioritariamente bilingue, e é verdade que estamos condenados a ser bilingues, devemos envidar todos os esforços para a construção de um bilinguismo efetivo”, acrescentou Basílio Ramos, assegurando que a língua portuguesa manteria as funções que já vem desempenhando, agora a par da língua materna.

Por seu lado, o ministro da Cultura cabo-verdiano, Mário Lúcio Sousa, admitiu que a falta de consenso nacional tem impedido a oficialização do cabo-verdiano.

“Tendo em conta as diferentes variantes, a uniformização da escrita tem sido um dos fatores da falta de consenso. Mas essas questões poderão tratar-se mais tarde. Hoje, não há bolsas de resistência, há uma compreensão do que se quer, que é oficializar o património linguístico e não uma escrita ou uma variante”, frisou.

“A questão da língua está na sociedade civil. O Parlamento deve alterar a Constituição. Quando o Parlamento, as instituições nacionais e o Governo decidirem de comum acordo, podem marcar uma revisão constitucional para a oficialização do crioulo”, concluiu.

O cabo-verdiano já tem alfabeto, instituído oficialmente em janeiro de 2009, dez anos após a introdução do ALUPEC (Alfabeto Unificado para a Escrita do Crioulo), embora pouca influência tenha na escrita, e funciona como um sistema gráfico nacional, composto por 24 letras e quatro dígrafos.

As letras são A B D E F G H I J K L M N Ñ O P R S T U V X Y Z, enquanto os dígrafos são: J LH NH TX.

 

JSD. – Lusa/Fim

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